domingo, 27 de setembro de 2009

Devaneios S/A



Estes pares de sapatos pertencem à Van Gogh, que para mim, é uma de suas obras mais tocantes, mais significantes...para muitos, talvez pareça sem sentido, sem nexo...Mas esses objetos pintados dizem muito... é o mais belo autorretrato que ele produziu, o mais sujo, o mais grotesco, porém, ao mesmo tempo, o mais sublime, o mais revelador...

Meus "sapatos" estão novinhos, ainda com cheiro de fábrica...quero rodar o mundo, quero pisar em territórios estranhos, quero sofisticar meu pensamento...

Em dias como hoje, com chuva torrencial lá fora, impedindo-me de fazer quaisquer atividades, além de comer, dormir e pensar...encontro-me compartilhando devaneios, palavras ao vento, idéias, projeções...
...e os gregos já diziam, que o pensamento é a ginástica da alma...

Pensadoras e artistas que somos, nos tornamos bobonas, meio, ou inteiramente "viajonas", porque somente quem lê Blanchot, Nietzsche e cia consegue chegar um pouquinho perto da loucura...Mas uma loucura um tanto avassaladora, que nos leva a devaneios sólidos, que nos fazem felizes de tristes, que nos auto-disciplinam, que nos transformam...

Quando Goethe afirma que "escrever é um ócio muito trabalhoso" ele está coberto de razão...
Um delírio consistente, um devaneio racional, onde o leitor sonha, junto comigo, ou não...
São nestes momentos que me pego pensando sobre o conhecimento humano, lembro-me de Gulliver, aquele cara que ora era gigante, ora pequeno, ora um estranho...somos como ele, tal e qual, principalmente no que diz respeito às nossas inquietações enquanto seres pensantes, e não apenas operantes. O mundo está abarrotado de seres operantes, que só agem, trabalham, comem e dormem. Não pensam, não inventam, não recriam, estão em sono profundo e não se deram conta...

Pensar dói, e o pior, procurar pensar é ainda mais irritante...mas já estou neste barco, envolvida demais...não tem como voltar atrás. A busca pela erudição alimenta minha alma, faz com que eu tenha fome de saber, se isto é bom ou ruim, não sei. O que sei é que na arte renascemos e nela nos reconhecemos e eu caminho para conquistar novos horizontes, guiar-me ao desconhecido, andar pelo escuro, em busca da luz...Vou calçando meus sapatos para sair da escuridão, seguindo os conselhos de Platão...em busca da luz, vou sair da caverna, sair da mesmice, da rotina, vou pisar no território desconhecido, vou fazer diferente, vou ousar...

E aí, vamos?



Pri Anversa

sábado, 26 de setembro de 2009

Por que há tantos nus na arte?







Será que o corpo humano é intrinsecamente belo ou todos nós - artistas incluídos - somos voyeurs compulsivos?A linha que demarca este tipo de arte é tênue e a nossa predisposição genética para achar belo o gênero que nos atrai sexualmente - homem ou mulher - acaba por nos toldar ainda mais o raciocínio e o sentimento.
Não sabemos se o que realmente gostamos é da composição, da forma, da cor, do ritmo, do contraste, ou simplesmente da imagem por si. As nossas reações são então simultaneamente curiosas e reveladoras.

Quase sempre o senso comum tem uma de duas atitudes perante a representação do corpo humano nu: ou o condena, chamando-o de indecente, ou lhe confere o estatuto de Arte. Esta segunda posição é a que nos interessa; apenas na aparência é mais culta e com frequência mascara ignorância e o receio de a mostrar perante os outros.

O corpo humano é um tema recorrente na arte. Desde nossos ancestrais mais remotos, sempre houve a necessidade de representar ou refletir sobre sua própria imagem. O homem primitivo representava a forma feminina com seios e abdômen avantajados para simbolizar fertilidade e perpetuação da espécie, que para eles, era função sagrada da mulher. No período clássico, Grécia e Roma representavam toda a beleza e vigor físico. Nessas obras, notamos um nu limpo e casto, mostrando a beleza e a sensualidade.
É preciso relembrar a grande proximidade, para não dizer coincidência, entre aquilo a que então se chamava Arte e a Religião. A Mitologia grega era composta por figuras antropomórficas, seres perfeitos que o Homem tentava igualar. Esta busca pela perfeição levou à instituição de um verdadeiro culto do corpo de proporções ideais que as esculturas de Fídias, Praxíteles e outros artistas plasmaram no mármore e no bronze. Nunca, desde então, se assistiu a outra representação de um nu com estes propósitos tão "puros" - Arte verdadeira.
Não obstante o nu continuou a preencher uma quota importante das temáticas utilizadas pelos pintores, escultores e, mais recentemente, pelos fotógrafos com todas as implicações trazidas pelo realismo próprio da fotografia. A uns interessa-lhes o jogo formal proporcionado pelas linhas ondulantes dos corpos; a outros o significado.
...Com toda a liberté que cultuamos hoje em dia, muitos nus são de fato, nada castos nem tampouco sensuais. São mais que isso, são muitas vezes, exagerados, chocantes e causam uma certa incomodação ao olhar. Mas é isso aí, onde a expressão é livre, o pensamento voa, a criação então, nem se fala. Apreciemos o que nos agrada, não somente aos olhos, mas ao pensamento, e ao coração...Escolha sua arte!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Luciano Martins, Arte e escola


Tanto no Colégio Dom Jaime Junior quanto no Colégio Visão, apresentei às crianças o artista plástico Luciano Martins. Por motivos diferentes, criamos projetos distintos. No entanto, ambos ligados a alguns conteúdos de arte, onde predomina a temática da criança, do infantil...
Os objetos de estudo são semelhantes, mas os resultados, bem diferentes. Ainda em construção, o processo está sendo um mais intenso que esperávamos. As crianças se mostraram extremamente curiosas e críticas em relação ao que apreciaram. São fãs do Luciano e ele é uma simpatia de pessoa: receptivo, atencioso e muito profissional, além de conterrâneo e, é claro, colorado...
Abro aqui um parênteses para falar não somente da minha satisfação, mas da minha gratidão pela receptividade de toda a equipe da galeria do Luciano Martins, que assim como eu, fazem seu trabalho com muito carinho e empenho. Tenho certeza de que o retorno é recompensador...para todos nós!
Resumidamente falando, no Visão fizemos quadros com base na obra do artista, além de todo o estudo prévio e a visitação à galeria. No Dom Jaime, ainda estamos trabalhando com leitura de imagens do Luciano, articulando com outros artistas que também tratam do universo infantil, ou que em algum momento, abordaram o tema "cirança" em suas obras, como Van Gogh, Renoir, Velásquez, Tarsila, Portinari, entre outros. O fazer artístico está em construção: a personalização de duas mesas de madeira...
Luciano Martins nasceu em 1966, em Porto Alegre - RS. É publicitário e artista plástico. Na publicidade, recebeu mais de duzentos prêmios regionais, nacionais e internacionais, como Colunistas, Festival Internacional de Propaganda do México, Festival Internacional de Propaganda e Turismo no Uruguai, Argentina, Bahia e Rio de Janeiro, Festival Mundial de Propaganda em Gramado, Prêmio Abril de Publicidade, Profissionais da Rede Globo, dentre outros. Como artista plástico, expôs pela primeira vez em 1997, na coletiva "Fratura Exposta". Desde então, participou de diversas exposições e mostras no estado de Santa Catarina e diversas cidades do Brasil. Entre elas, destacam-se seus "relatos" de viagem, com "Paris dos Meus Olhos" (2002), "A Itália dos Meus Olhos"(2003) e "Amsterdam dos Meus Olhos" (2005). A partir de 2006, abriu seu "Ateliê LM", na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Em 2007 foi convidado para expor na França e em 2008 em Portugal e nos Estados Unidos. Suas obras estão presentes em vários países além do Brasil, como Itália, Alemanha, Portugal, França, Inglaterra, Espanha, Suíça, Polônia, Finlândia,Israel, Canadá, Estados Unidos, Marrocos,México, Senegal e Argentina.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Guerrilla Girls


As Guerrilla Girls são um grupo de artistas radicais feministas, formado em 1985, em Nova York. O grupo é conhecido por usar cartazes criativos para promover as mulheres e pessoas negras nas artes. Seu primeiro trabalho foi a colocação de cartazes nas ruas de Nova York, protestando em relação à falta de artistas femininas e negros em museus e galerias


O grupo começou após algumas mulheres prestes a serem membros da Guerrilla participarem de uma exposição intitulada "Um Estudo Internacional de Pintura e Escultura", realizada pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, onde descobriram que apenas 13 dos 169 artistas destacados foram mulheres. A relação de artistas negros foram ainda menores, nenhuma das quais eram mulheres artistas também.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Um metro quadrado de arte, por favor


Sinta, pense, faça...
Precisamos viver de verdade, acordar do sono que a vida nos impõe. Sono este que nos torna reféns da rotina e incapazes e pensarmos ou agirmos conforme nossos princípios...Arte nos desloca desta atitude. Arte nos transforma em sonho, e não sono. Pensamos, agimos, refletimos, sentimos.
Arte-se!!!
Pri Anversa