quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Presenteando o colégio com arte

Uma das extensões do Projeto Interdisciplinar “Gentileza” do Colégio Dom Jaime Jr de 2009 foi o subprojeto “Presenteando o Colégio com Arte”, mediado na aulas de Artes, o qual teve como objetivo customizar duas mesas de madeira. Com o intuito de que os alunos não apenas construíssem uma pintura, mas que vivenciassem arte, uma série de etapas foram trilhadas para chegar à produção final.



Essas etapas tiveram como base o conhecimento, o qual é norteado pela Abordagem Triangular, que contempla o fazer, o contextualizar e o fruir. Construímos a leitura de imagens de Luciano Martins, articulando com outros artistas que também abordam o universo infantil, ou que em algum momento, apresentaram o tema "criança" em suas obras, como Van Gogh, Renoir, Velásquez, Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Romero Britto, entre outros, reafirmando o lúdico e a arte. A produção se consolidou na personalização das mesas de madeira.




Depois de um bimestre inteiro vivenciando a obra do artista Luciano Martins, a qual engendrou a produção do subprojeto, nossos alunos do 5° ano vespertino tiveram a oportunidade de conhecer o ateliê/galeria do artista. A pesquisa de campo foi um dos desdobramentos do projeto, pois agregou a contextualização necessária acerca do que os alunos estudaram na escola ao contato com as obras e com o artista. As crianças se mostraram extremamente curiosas e críticas em relação ao que apreciaram. Este momento foi muito especial: os questionamentos dos alunos foram ricos, fundamentados e principalmente, críticos. Foi tão intenso que nos faltou tempo, para tanto diálogo. Além de que, o artista nos surpreendeu realizando uma pintura no ateliê. Excepcionalmente fez uma demonstração de seu processo pictórico. As crianças aplaudiram, e é claro, tornaram-se ainda mais fãs do Luciano.

No dia 08 de dezembro Luciano Martins, acompanhado de seu irmão Fábio Martins - o qual é sócio e administra o espaço da galeria – nos presentearam visitando o Colégio Dom Jaime Jr., onde puderam conhecer o resultado de um processo muito significativo. Para a surpresa de ambos, as mesas se encontravam na entrada da escola, e neste sentido, antes mesmo de reencontrarem as crianças, que estavam em sala de aula, depararam-se com nosso trabalho. Em seguida, após um percurso dentro do colégio, nos dirigimos à sala do 5º ano vespertino.




Lá, outra surpresa foi preparada ao Luciano: a turma fez um livro com ilustrações baseadas em todo o referencial imagético dele. Os desenhos, direta ou indiretamente estão “contaminados” com características da obra do artista. É um singelo, mas significativo presente, de forma a agradecer por todo o carinho e empenho da equipe da Galeria Luciano Martins.




Em meio a toda a agitação desta visita especial, que coincidentemente era o último dia de aula para a turma, Luciano realizou uma espécie de sessão de autógrafos, onde além de assinar as camisetas dos alunos, deixou sua marca nas mesmas, com a ilustração de um gato, animal presente em toda sua obra. Este dia foi, de fato, o fechamento de um longo processo de aprendizagem, que certamente foi único e significativo tanto para os alunos, quanto para nós, profissionais da escola e para a equipe da Galeria Luciano Martins, que demonstraram muito carinho e empenho naquilo que fizeram, assim como nós, educadoras.
Priscila Anversa

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Let's fly baby?


Yves Klein em sete anos desafiou todos os limites...

Foi ousado: quadros de uma só cor, a sua cor patenteada, aboliu o uso dos pincéis, usou pigmentos puros, realizou performances, usou fogo e água em suas pinturas...

Um artista conceitual que explorou todas as formas e materiais em busca da imaterialidade...

Em sua obra, há muito mais do que monocromos. Figura a relação do homem, da criação, do mito, e o espaço é sua fonte de inquietação.


Em Salto no Vazio, de 1960 - Um homem no espaço - O pintor do espaço lança-se no vazio, fotografia tirada por Harry Shunk transformou-se num ícone visual do século XX. O fervor do Sputnik I em 1957 significava a libertação das leis da gravidade. É neste contexto que Klein, um ano antes do primeiro voo espacial tripulado lança-se ao espaço e produz um valor iconográfico muito peculiar.
Pri Anversa


domingo, 13 de dezembro de 2009

Ucronia Poética


Possibilidade da utopia retrospectiva...onde em determindado instante, um acontecimento ocorre, portanto existe...


Mas como existência não é tudo, este acontecimento só não é efêmero porque acabo de registrá-lo aqui.

Outra vez, me encontro divagando sobre arte, sobre processos, sobre a vida,...sobre sabe-se Deus o que...mas partilho meus pensamentos comigo mesma...e com quem se sentir à vontade com o assunto...e quiser continuar lendo isso tudo...
Como dizia o escritor mexicano Carlos Fuentes na contracorrente de seus contemporâneos que lutavam com a escritura, "a angústia é uma mentira psicológica" e que "escrever é um prazer"
"Um prazer...
Como um beijo
- romântico ou lascivo?
Como sexo
- para mim ou para ele?
Como suor
- repousando quente, ainda lava, ou escorregando frio sobre a pele temerosa?
Como uma fuga
- definitiva ou sintomática?
(...)"
Portanto, escrevo, enquanto não esgotar minhas forças, escrevo, pactuante ao ponto de vista do poeta, "como um beijo, sexo e suor"...
Mas voltemos à angústia acerca da arte...

Baudrillard diz: "A arte que provoca uma emoção tanto mais forte na medida em que é imperfeita, fortuita e fragmentária..."


A palavra "arte" é um problema: o que se compreende, intuitivamente com o termo é o que se resume nos discursos, nas aulas, nos museus, nas insituições, na história da arte...Mas existem obras que se distinguem suficientemente do percurso das coisas, da banalidade para merecer o nome de arte? Qual é afinal, o poder da arte?

Hoje, limitar-me-ei a questionar, quero evitar responder coisas das quais não se têm resposta ...

Obviamente o chavão "se tudo é arte nada é arte" é válido para pensarmos em alguns paradoxos...Mas a minha defesa para manter-me "nula" diante de um diálogo tão importante e empírico é a arte-educação. Eu, enquanto arte-educadora não posso ditar conceitos, devo dar um empurrãozinho aos meus alunos para que construam cada qual sua ideia.


Não é lavar as mãos, pelo contrário, é ser rigorosa e extremamente cuidadosa pra não ser aquela professora quadrada que desconsidera artistas pelo simples fato de estarem no campo do consumo. Ora, não sejamos hipócritas em extenuar este discurso como se a grande maioria dos artistas que existem ou que já existiram não transitam neste campo entre arte versus consumo.


E mesmo os que negam o consumo e repugnam o mesmo tiveram/têm seu mérito, aliás, meu mérito, meu crédito, mesmo porque estes estão em outra categoria que não cabe aqui discutir, neste momento...


Fico contente em encontrar respaldo na filosofia e perceber que arte é ilusão, que nos afeta quando ela impõe sua ilusão...universo paralelo que não se trata da arte pela arte, mas ao desafio ao princípio de realidade...


Independetemente de quaisquer conceitos, pra mim, o estatuto que define arte, diz repeito àquilo que provoca alguma reação, alguma emoção, não da ordem do sensível apenas, é claro...Mas vou parando por aqui, porque afinal, a intenção inicial era deixar no ar as perguntas...Mas obviamente, quem bem me conhece, sabe de minha pontualidade na fala, crítica, efusiva e deliberadamente verossímil...
Priscila Anversa


domingo, 22 de novembro de 2009

Potência intempestiva



Dizem que uma imagem fala por si, que não necessita de palavras nem interpretação. Claro que sou adepta a este discurso. Entretanto, enquanto pesquisadora de Semiótica, há momentos em que é necessário estruturar uma leitura de imagem para poder encontrar as diferenças. A comparação estabelecida ajuda a criar julgamentos e por fim, interpretar um texto visual, e assim, exercitar potencialmente minhas inquietações artísticas...




Se bem que o artista que provoca todo este rebuliço em meus pensamentos, o grafiteiro britânico Banksy, certamente não compartilha a idéia da semiótica... Ele é um tanto recluso, não aparece na mídia, não faz alarde, não é celebridade...mas sua arte é mais que grandiosa, é silenciosa, é um tapa na cara, porque me faz engolir seco certos conceitos, envergonha-me enquanto pessoa por estar limitada também...por não poder fazer nada, assim como ele, a não ser expressar-me por palavras, ou pela arte...Moral da história? Globalização. Sim, temos a arte política, crítica, nua e crua também.

O artista plástico é conhecido por seus grafites, pinturas, intervenções e stencil art. Sempre criticando os problemas sociais, incorpora o humor e sarcasmo em suas produções. Sim, ele está entre os meus artistas favoritos, os quais felizmente não consigo definir ordem de preferência...
Aprecio demais a crítica à sociedade do consumo, mais precisamente, aos americanos. O filósofo Buckhardt fala sobre a cultura do Renascimento na Itália, referindo-se à moral e religião, onde é possível reportar aos Estados Unidos. O que os italianos foram para Renascimento é o que os EUA são para o pós-modernismo. "Uma grande nação, entrelaçada por sua cultura, seus feitos e sua experiência, (...) pode permitir-se ignorar tudo, tanto seus acusadores quanto seus defensores: ela segue vivendo (...)”. (BUCKHARDT, A cultura do Renascimento na Itália: um ensaio,1991)

A obra de Banksy mesmo que figurativa, está inserida no conceito de aparição, de configuração. Ela não é a representação do mundo em si, mesmo que represente uma situação. Ela é a representação da representação. Aquilo que está ali, visível, é invisível. O que se mostra está além do visível, além do que os nossos olhos olham. Mas isso é uma "esquizofia" filosófica sem fim...A verdade é que a arte têm funções múltiplas. Geralmente a função social e política costuma ser discutida na arte, e não na publicidade, por exemplo, que em sua maioria já transmite uma ideia pronta - a imagem já nos diz o que significa antes mesmo de pararmos para pensar.
Na realidade o que precisamos saber não requer imagem para nos comunicar, como já disse Baudrillard...já está em nosso íntimo, em nossa consciência, basta exercer o ato de pensar, buscar, querer, e principalmente, ser...
Priscila Anversa

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Família: Vide Bula

Tarsila do Amaral, "A família", 1925
Depois de quase dois anos pesquisando sobre o tema, descobri porque este assunto tanto me perturba. Por mais que eu tenha detectado alguns fatores, ainda não consigo formular em palavras aquilo que sinto, aquilo que penso. O que sei é que a dimensão da problemática é maior do que imaginamos, e pior, as relações entre família e escola se dissipam cada vez mais. Nós, profissionais da educação, esbarramos com essas questões o tempo todo, porque família e escola são temas vizinhos e cúmplices, no que diz respeito à escolarização. Rosely Sayão e Julio Groppa Aquino discutem em seu livro "Família: modos de usar" pontos importantes na edificação desta complexa relação - família, escola e pós-modernidade. De fato não existe um guia, um manual ou uma bula que possa esclarecer como tratar estes problemas de forma prática. Porém, algumas considerações, por mais sarcásticas que pareçam, são muito adequadas quando os autores resolvem ao invés de escrever um prólogo, como em todo livro, apresentam uma bula, remetendo ao fato de a mesma encontrar-se em toda a caixa de remédio, embora a maioria dos usuários não a utilizem. É uma excelente metáfora, porque casualmente é isso que acontece...as famílias vão se "pedagogizando" por si, preferem mais as informações clichês sugeridas por livros de auto-ajuda e programas da mídia, do que enfrentar os problemas existentes na educação dos filhos através da maneira mais simples, que é a confiança mútua para com a escola...eis alguns trechos da bula familiar sugerida pelos autores acima citados:


SUPERDOSAGEM


O uso abusivo das ações familiares, mormente relacionado à superproteção por parte dos pais, pode gerar dependência, sobretudo na infância e ao término da juventude, Os sintomas resultantes da superdosagem costumam ser reversíveis, se imediatamente acompanhados por ações que precipitem a responsabilidade e a liberdade rumo à vida adulta


INTERAÇÕES


As ações familiares são necessárias e, salvo melhor juízo, suficientes apenas no início da vida de um indivíduo. Imediatamente após, torna-se imprescindível a interação com outras instituições, em especial a escola. É esta que mediará o envolvimento do indivíduo com o mundo público. Para que a interação com a escola produza resultados benéficos, os tempos e os espaços de atuação desta e da família devem ser diferenciados, porém complementares. Em situações em que são constatadas práticas invasivas mútuas, a reação é oposta à esperada por ambas. Indica-se, portanto, uma relação de delegação confiante e discrição respeitosa entre as partes.


CONTRA-INDICAÇÕES


Laços familiares são contra-indicados para ególatras, narcisistas e pessoas não generosas em geral. Ainda, filhos como projeto narcísico ou objeto de consumo, frutos da pressão social, são veementemente contra-indicados.
Pri Anversa

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

4° Ciclo de Investigações do PPGAV - 2009




Acontecerá nos dias 09, 10 e 11 de novembro o Ciclo de Investigações do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais. Na sua quarta edição, o tema escolhido para o Ciclo de Investigações do PPGAV/UDESC 2009 foi DESLOCAMENTOS REFLEXIVOS, o qual possibilita desdobramentos e reflexões no âmbito de três eixos, os quais correspondem às linhas de pesquisa do PPGAV: Processos Artísticos Contemporâneos, Teoria e História da Arte e Educação em Artes Visuais.

Para maiores informações, acesse: http://ciclo2009.wordpress.com/

PROGRAMAÇÃO DA MINHA COMUNICAÇÃO
Florianópolis – Campus Itacorubi – UDESC
Horário: das 14:00 às 16:00 horas
DIA 09 de novembro de 2009 – SEGUNDA-FEIRA

ESPAÇO 1:
Priscila Anversa – Investigações sobre a família, a escola e o ensino de arte – ressonâncias e inserções na educação inclusiva

Bem, como sou egocêntrica, só postei o horáio da minha comunicação...Mas para quem tem interesse, acessar o site acima descrito, no link programação.
Amigos, favor comparecer para prestigiar minha pesquisa! Nem que seja somente para dar volume!


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Uma certa antropofagia, ou seria fome de arte?


Alimentando a alma, o intelecto, o pensamento, a emoção e a criação.
A ida à Bienal foi mais que produtiva. Foi e é uma experiência única e completamente inspiradora. É encantador um evento deste porte, uma cidade com tamanha cultura. Quando vi a mediadora em meio a uma turma de adolescentes de uma escola qualquer, no MARGS, parei por um instante e senti inveja...inveja de não poder proporcionar este momento aos meus alunos. Robert Ott está coberto de razão quando pontua que nada subsitui a experiência no museu. Ainda mais quando se trata de arte contemporânea, de vivência, de efemeridade. Se sou sensível ou romântica demais? Talvez, mas de fato sou apaixonada por Arte, por cultura, além do que, muita coisa me toca a alma, desde a cidade de Porto Alegre, com seus prédios de arquitetura exuberante, a cidade respirando cultura e arte...acho o máximo! E volto cheia de inspiração e novidades, ansiosa para a próxima...
Pri Anversa


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Hélio Oiticica: Obras viram pó

O acervo do artista Hélio Oiticica foi tomado por um incêndio, repercutindo diferentes opiniões: se é lamentável, ou se finalmente houve a realização plena do trabalho do artista como efemeridade. Não sei, eu fico triste, porque sou apegada ao material, ao registro, e em arte, ainda sou meio primitiva quanto à ideia de que ela não necessita registros, que é passageira...gosto da nostalgia concreta!

REPERCUSSÃO
"Oiticica é tudo. Estou em estado de choque. É uma fatalidade" LISETTE LAGNADO, curadora da 27ª Bienal

"É uma perda lastimável para se entender a arte internacional. Oiticica deixou as fronteiras da arte brasileira" TADEU CHIARELLI, curador e professor da USP

"É como se um pedaço de cada artista brasileiro tivesse se incendiado também. É uma tragédia cultural" CILDO MEIRELES, artista


"A única forma de sair dessa tragédia é replicar as obras conceituais" ROBERTO AGUILAR, artista plástico"

Não sei quais eram as condições da casa. Vamos pedir um laudo para fazer um diagnóstico" JOSÉ DO NASCIMENTO JÚNIOR, presidente do Instituto Brasileiro de Museus, ligado ao MinC

"É desastroso. Mais um fato que mostra como é frágil a relação entre o privado e o público. Por que as famílias têm tanto poder sobre o legado de um artista já morto?" MARTIN GROSSMANN, diretor do Centro Cultural São Paulo



"O lamentável nesse incêndio é que destruiu uma das contribuições mais originais, inventivas e audaciosas da arte brasileira" FERREIRA GULLAR, poeta e companheiro de Oiticica no neoconcretismo

"Acho lamentável. O Hélio tem uma importância fundamental" LEDA CATUNDA, artista plástica

terça-feira, 13 de outubro de 2009

V Encontro do Grupo de Pesquisa Educação, Arte e Inclusão


O V Encontro do Grupo de Pesquisa Educação, Arte e Inclusão é uma atividade do Grupo de Pesquisa “Educação, Arte e Inclusão”, vinculado ao CNPq. Com a intenção de intercambiar as produções de investigadores dentro e fora do Brasil, o grupo prioriza os temas que relacionam educação e arte com a temática da inclusão. Neste sentido tomamos o tema da inclusão numa abordagem ampla. Consideramos a inclusão social, tecnológica, inter-étnica e das pessoas com necessidades especiais.

Partilhamos um referencial teórico-prático que identifique, analise e diagnostique a situação da inclusão no Brasil, suas políticas públicas, as práticas culturais na escola e as inovações escolares. O grupo de pesquisa produz uma interface com o campo do Ensino de Arte no que diz respeito à produção de objetos pedagógicos para a inclusão, focando uma parcela de suas pesquisas na formação do professor de arte, da produção artística de crianças em classes inclusivas. Pretendemos no evento veicular uma produção singular na interface, educação, arte e inclusão, objetivando as produções locais com investigações de outros grupos de pesquisa e com outros países onde existem parcerias com o grupo de pesquisa a exemplo de Portugal (Universidade do Minho) e Espanha (Universidade de Cádiz).


QUANDO? 19 e 20/10

ONDE? Auditório da ESAG - UDESC - ITACORUBI


Informe-se sobre programação completa em: http://sistemas.virtual.udesc.br/cursos/encontro/


E COMPAREÇA À MINHA COMUNICAÇÃO PRA DAR AQUELA FORÇA!!!DIA 20/10, 9h

domingo, 27 de setembro de 2009

Devaneios S/A



Estes pares de sapatos pertencem à Van Gogh, que para mim, é uma de suas obras mais tocantes, mais significantes...para muitos, talvez pareça sem sentido, sem nexo...Mas esses objetos pintados dizem muito... é o mais belo autorretrato que ele produziu, o mais sujo, o mais grotesco, porém, ao mesmo tempo, o mais sublime, o mais revelador...

Meus "sapatos" estão novinhos, ainda com cheiro de fábrica...quero rodar o mundo, quero pisar em territórios estranhos, quero sofisticar meu pensamento...

Em dias como hoje, com chuva torrencial lá fora, impedindo-me de fazer quaisquer atividades, além de comer, dormir e pensar...encontro-me compartilhando devaneios, palavras ao vento, idéias, projeções...
...e os gregos já diziam, que o pensamento é a ginástica da alma...

Pensadoras e artistas que somos, nos tornamos bobonas, meio, ou inteiramente "viajonas", porque somente quem lê Blanchot, Nietzsche e cia consegue chegar um pouquinho perto da loucura...Mas uma loucura um tanto avassaladora, que nos leva a devaneios sólidos, que nos fazem felizes de tristes, que nos auto-disciplinam, que nos transformam...

Quando Goethe afirma que "escrever é um ócio muito trabalhoso" ele está coberto de razão...
Um delírio consistente, um devaneio racional, onde o leitor sonha, junto comigo, ou não...
São nestes momentos que me pego pensando sobre o conhecimento humano, lembro-me de Gulliver, aquele cara que ora era gigante, ora pequeno, ora um estranho...somos como ele, tal e qual, principalmente no que diz respeito às nossas inquietações enquanto seres pensantes, e não apenas operantes. O mundo está abarrotado de seres operantes, que só agem, trabalham, comem e dormem. Não pensam, não inventam, não recriam, estão em sono profundo e não se deram conta...

Pensar dói, e o pior, procurar pensar é ainda mais irritante...mas já estou neste barco, envolvida demais...não tem como voltar atrás. A busca pela erudição alimenta minha alma, faz com que eu tenha fome de saber, se isto é bom ou ruim, não sei. O que sei é que na arte renascemos e nela nos reconhecemos e eu caminho para conquistar novos horizontes, guiar-me ao desconhecido, andar pelo escuro, em busca da luz...Vou calçando meus sapatos para sair da escuridão, seguindo os conselhos de Platão...em busca da luz, vou sair da caverna, sair da mesmice, da rotina, vou pisar no território desconhecido, vou fazer diferente, vou ousar...

E aí, vamos?



Pri Anversa

sábado, 26 de setembro de 2009

Por que há tantos nus na arte?







Será que o corpo humano é intrinsecamente belo ou todos nós - artistas incluídos - somos voyeurs compulsivos?A linha que demarca este tipo de arte é tênue e a nossa predisposição genética para achar belo o gênero que nos atrai sexualmente - homem ou mulher - acaba por nos toldar ainda mais o raciocínio e o sentimento.
Não sabemos se o que realmente gostamos é da composição, da forma, da cor, do ritmo, do contraste, ou simplesmente da imagem por si. As nossas reações são então simultaneamente curiosas e reveladoras.

Quase sempre o senso comum tem uma de duas atitudes perante a representação do corpo humano nu: ou o condena, chamando-o de indecente, ou lhe confere o estatuto de Arte. Esta segunda posição é a que nos interessa; apenas na aparência é mais culta e com frequência mascara ignorância e o receio de a mostrar perante os outros.

O corpo humano é um tema recorrente na arte. Desde nossos ancestrais mais remotos, sempre houve a necessidade de representar ou refletir sobre sua própria imagem. O homem primitivo representava a forma feminina com seios e abdômen avantajados para simbolizar fertilidade e perpetuação da espécie, que para eles, era função sagrada da mulher. No período clássico, Grécia e Roma representavam toda a beleza e vigor físico. Nessas obras, notamos um nu limpo e casto, mostrando a beleza e a sensualidade.
É preciso relembrar a grande proximidade, para não dizer coincidência, entre aquilo a que então se chamava Arte e a Religião. A Mitologia grega era composta por figuras antropomórficas, seres perfeitos que o Homem tentava igualar. Esta busca pela perfeição levou à instituição de um verdadeiro culto do corpo de proporções ideais que as esculturas de Fídias, Praxíteles e outros artistas plasmaram no mármore e no bronze. Nunca, desde então, se assistiu a outra representação de um nu com estes propósitos tão "puros" - Arte verdadeira.
Não obstante o nu continuou a preencher uma quota importante das temáticas utilizadas pelos pintores, escultores e, mais recentemente, pelos fotógrafos com todas as implicações trazidas pelo realismo próprio da fotografia. A uns interessa-lhes o jogo formal proporcionado pelas linhas ondulantes dos corpos; a outros o significado.
...Com toda a liberté que cultuamos hoje em dia, muitos nus são de fato, nada castos nem tampouco sensuais. São mais que isso, são muitas vezes, exagerados, chocantes e causam uma certa incomodação ao olhar. Mas é isso aí, onde a expressão é livre, o pensamento voa, a criação então, nem se fala. Apreciemos o que nos agrada, não somente aos olhos, mas ao pensamento, e ao coração...Escolha sua arte!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Luciano Martins, Arte e escola


Tanto no Colégio Dom Jaime Junior quanto no Colégio Visão, apresentei às crianças o artista plástico Luciano Martins. Por motivos diferentes, criamos projetos distintos. No entanto, ambos ligados a alguns conteúdos de arte, onde predomina a temática da criança, do infantil...
Os objetos de estudo são semelhantes, mas os resultados, bem diferentes. Ainda em construção, o processo está sendo um mais intenso que esperávamos. As crianças se mostraram extremamente curiosas e críticas em relação ao que apreciaram. São fãs do Luciano e ele é uma simpatia de pessoa: receptivo, atencioso e muito profissional, além de conterrâneo e, é claro, colorado...
Abro aqui um parênteses para falar não somente da minha satisfação, mas da minha gratidão pela receptividade de toda a equipe da galeria do Luciano Martins, que assim como eu, fazem seu trabalho com muito carinho e empenho. Tenho certeza de que o retorno é recompensador...para todos nós!
Resumidamente falando, no Visão fizemos quadros com base na obra do artista, além de todo o estudo prévio e a visitação à galeria. No Dom Jaime, ainda estamos trabalhando com leitura de imagens do Luciano, articulando com outros artistas que também tratam do universo infantil, ou que em algum momento, abordaram o tema "cirança" em suas obras, como Van Gogh, Renoir, Velásquez, Tarsila, Portinari, entre outros. O fazer artístico está em construção: a personalização de duas mesas de madeira...
Luciano Martins nasceu em 1966, em Porto Alegre - RS. É publicitário e artista plástico. Na publicidade, recebeu mais de duzentos prêmios regionais, nacionais e internacionais, como Colunistas, Festival Internacional de Propaganda do México, Festival Internacional de Propaganda e Turismo no Uruguai, Argentina, Bahia e Rio de Janeiro, Festival Mundial de Propaganda em Gramado, Prêmio Abril de Publicidade, Profissionais da Rede Globo, dentre outros. Como artista plástico, expôs pela primeira vez em 1997, na coletiva "Fratura Exposta". Desde então, participou de diversas exposições e mostras no estado de Santa Catarina e diversas cidades do Brasil. Entre elas, destacam-se seus "relatos" de viagem, com "Paris dos Meus Olhos" (2002), "A Itália dos Meus Olhos"(2003) e "Amsterdam dos Meus Olhos" (2005). A partir de 2006, abriu seu "Ateliê LM", na Lagoa da Conceição, em Florianópolis. Em 2007 foi convidado para expor na França e em 2008 em Portugal e nos Estados Unidos. Suas obras estão presentes em vários países além do Brasil, como Itália, Alemanha, Portugal, França, Inglaterra, Espanha, Suíça, Polônia, Finlândia,Israel, Canadá, Estados Unidos, Marrocos,México, Senegal e Argentina.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Guerrilla Girls


As Guerrilla Girls são um grupo de artistas radicais feministas, formado em 1985, em Nova York. O grupo é conhecido por usar cartazes criativos para promover as mulheres e pessoas negras nas artes. Seu primeiro trabalho foi a colocação de cartazes nas ruas de Nova York, protestando em relação à falta de artistas femininas e negros em museus e galerias


O grupo começou após algumas mulheres prestes a serem membros da Guerrilla participarem de uma exposição intitulada "Um Estudo Internacional de Pintura e Escultura", realizada pelo Museu de Arte Moderna de Nova York, onde descobriram que apenas 13 dos 169 artistas destacados foram mulheres. A relação de artistas negros foram ainda menores, nenhuma das quais eram mulheres artistas também.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Um metro quadrado de arte, por favor


Sinta, pense, faça...
Precisamos viver de verdade, acordar do sono que a vida nos impõe. Sono este que nos torna reféns da rotina e incapazes e pensarmos ou agirmos conforme nossos princípios...Arte nos desloca desta atitude. Arte nos transforma em sonho, e não sono. Pensamos, agimos, refletimos, sentimos.
Arte-se!!!
Pri Anversa