quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Certos avessos


De cara, já lhes digo um: a vontade exacerbada em escrever devaneios em plena reta final de capítulo 3 da dissertação. Não que isso seja um crime. Mas o sinto como tal. Como ouso perder tempo com este tipo de coisa? Mas deixemos este dilema de lado e vamos ao que interessa. Os antagônicos à que me refiro são mais cabeludos do que uma “traição” à dissertação. Por que pré-adolescentes ou até mesmo crianças já pintam seus cabelos ou os alisam de forma “permanente”? Hoje uma aluna de 8 anos, negra, apareceu com seus cabelos lisos. Daqui a pouco pode ser que aparece loura, ou com mechas... Não que isso seja equivocado ao senso comum, que idolatra Beyoncé, que já -em minha opinião - nem pertence mais à “classe” afro-descendente... Talvez esta minha aluna continue a camuflar sua afro-descendência, porque as pessoas também vão achá-la mais bonita quanto menos negra ela for e quanto mais características ocidentais ela tiver. Não que você não deva buscar ser feliz com sua aparência, mas concluo que cada vez mais o ideal de beleza exclui as especificidades de cada “raça”. Por exemplo: misses são sempre ocidentais, e até mesmo as orientais são possuidoras de muitos traços ocidentais, que amenizam sua “orientalidade”; as negras misses são as de nariz fino e pele semi-caucasiana. Podem, é claro, ter lábios carnudos, mas de leve. (...) Mudando de saco pra mala (ainda, é claro, falando de avessos), gostaria de reivindicar elevadores em edifícios para dois tipos de animais (ao invés de social e de serviço): elevadores para animais domésticos e elevadores para neandertais. Claro que os neandertais somos nós, quer dizer, eu não, pois não me incluo nesta categoria, e tenho certeza de que meus afins também não. Cabe aqui citar Félix Guattari, que, expondo sua indignação perante um mundo que se deteriora lentamenteque, institui três pilares essenciais que todos deveríamos ter, as três ecologias, que são a ética (relações sociais), a estética (subjetividade humana) e o meio ambiente. Isso é o que o pessoal que se intitula condômino definitivamente não tem. Por que um animal limpo, vacinado e “anti-vermifugado” tem que ser transportado em uma caixa num intervalo de tempo de alguns segundos - no elevador - para sair com seu dono? Onde deixar a caixa após o uso, se vou passear com o cão? Devo pedir para que o animal gentilmente espere por mim do lado de fora do condomínio até que eu suba e leve a caixa? Ou, posso optar por levá-lo no colo, ficando assim profundamente grata a quem fez o regimento interno por enrijecer meu bíceps ao segurar um cãozinho de quase 10 quilos... Desconsiderando aqui o fato de eu estar carregando simultaneamente uma mala (vulgo bolsa) e ter que chavear a porta de entrada...com o cão no colo, a bolsa no braço entre outros... Por isso eu insisto, e reivindico: Elevador social (para animais) e elevador anti-social (para neandertais, ranzinzas, mal-amados, síndicos, condôminos em geral e demais simpatizantes, quer dizer, anti-simpatizantes, pois desconhecem o termo simpatia).
Pois bem caros leitores, encerro meus avessos, meus adversos, minhas oposições, pois o dever literalmente me chama. Aurevoir!

sábado, 11 de setembro de 2010


Sabe aquele dia que você chega exausta, como se um trem tivesse passado por cima?
Bem, este dia foi ontem. E para minha alegria, um bom filme me aguardava. Georgia O'Keeffe...
Para quem aprecia um bons filmes, eu recomendo... não desses que só servem para passar tempo alienando-se em frente à televisão...Nem tampouco um daqueles que te dão tédio e sono.
Uma história belíssima, tocante, que te faz pensar sobre valores e outras tantas coisas da vida.
Muito bom filme. Eu recomendo. E assisto junto, de novo. Amei. Chorei. Revoltei-me. Discordei. Concordei...enfim, minha exaustão foi embora e momentaneamente minha mente encheu-se de coisas boas..

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O retorno de Jedi




Depois de 5 meses em abstinência, sem sequer acessar minha própria página - relegada ao abandono - levo um susto ao perceber que o contador de visitas, que estava em cento e poucos da última vez que acessei, atualmente, marca em torno de 500.
Achei o fundo meio brega...será que mudei tanto em tão pouco tempo?
Troquei de imediato...
Bem, 5 meses de intensa leitura, um aprimoramento imenso na forma de escrever, na forma de criticar e argumentar, volto ainda sem forças, mas com vontade de devanear como que jamais estive.
No fundo, uma sensação de esgotamento contamina minha mente, em função de estar escrevendo a dissertação, artigos, preparando a qualificação, coletando dados, e tendo muitas responsabilidades nas escolas. E isto é somente o lado profissional e acadêmico. Abstenho-me de informar-lhes o restante dos estresses.
No que concerne às minhas inquietações: sim, ainda as mesmas. Com uma pitada a mais de Marx e Bourdieu.
Hoje, leio todo dia antes de dormir. E não é livro acadêmico. São "banalogias", crônicas, aventuras, não importa... leituras que me fazem ora dormir, ora rir, ora pensar que estou lendo isso sem mais sentir culpa.
A próxima etapa é relaxar diante de um filme, relaxar, relaxar...
Mas a sombra...ah a sombra, ela me persegue...ela é eu, igualzinha. É meu outro Eu, que lembra-me o tempo inteiro de meu compromisso "Mor"...
Acompanha-me quando dirijo, quando cozinho, quando tomo banho, quando converso com alguém, quando trabalho, quando durmo, até mesmo quando faço amor...
Acho que quando eu concluir meu mestrado, ela vai levar uns dias para desagregar-se de mim...
E para concluir, que cá entre nós é algo complexo, pois, no meu caso, vou desenrolando outros assuntos que não estavam no script, e o texto sempre fica maior do que devia, deixo a agradável escrita de Jorge Luís Borges: "Um escritor deve escrever para alegria do leitor"