domingo, 13 de dezembro de 2009

Ucronia Poética


Possibilidade da utopia retrospectiva...onde em determindado instante, um acontecimento ocorre, portanto existe...


Mas como existência não é tudo, este acontecimento só não é efêmero porque acabo de registrá-lo aqui.

Outra vez, me encontro divagando sobre arte, sobre processos, sobre a vida,...sobre sabe-se Deus o que...mas partilho meus pensamentos comigo mesma...e com quem se sentir à vontade com o assunto...e quiser continuar lendo isso tudo...
Como dizia o escritor mexicano Carlos Fuentes na contracorrente de seus contemporâneos que lutavam com a escritura, "a angústia é uma mentira psicológica" e que "escrever é um prazer"
"Um prazer...
Como um beijo
- romântico ou lascivo?
Como sexo
- para mim ou para ele?
Como suor
- repousando quente, ainda lava, ou escorregando frio sobre a pele temerosa?
Como uma fuga
- definitiva ou sintomática?
(...)"
Portanto, escrevo, enquanto não esgotar minhas forças, escrevo, pactuante ao ponto de vista do poeta, "como um beijo, sexo e suor"...
Mas voltemos à angústia acerca da arte...

Baudrillard diz: "A arte que provoca uma emoção tanto mais forte na medida em que é imperfeita, fortuita e fragmentária..."


A palavra "arte" é um problema: o que se compreende, intuitivamente com o termo é o que se resume nos discursos, nas aulas, nos museus, nas insituições, na história da arte...Mas existem obras que se distinguem suficientemente do percurso das coisas, da banalidade para merecer o nome de arte? Qual é afinal, o poder da arte?

Hoje, limitar-me-ei a questionar, quero evitar responder coisas das quais não se têm resposta ...

Obviamente o chavão "se tudo é arte nada é arte" é válido para pensarmos em alguns paradoxos...Mas a minha defesa para manter-me "nula" diante de um diálogo tão importante e empírico é a arte-educação. Eu, enquanto arte-educadora não posso ditar conceitos, devo dar um empurrãozinho aos meus alunos para que construam cada qual sua ideia.


Não é lavar as mãos, pelo contrário, é ser rigorosa e extremamente cuidadosa pra não ser aquela professora quadrada que desconsidera artistas pelo simples fato de estarem no campo do consumo. Ora, não sejamos hipócritas em extenuar este discurso como se a grande maioria dos artistas que existem ou que já existiram não transitam neste campo entre arte versus consumo.


E mesmo os que negam o consumo e repugnam o mesmo tiveram/têm seu mérito, aliás, meu mérito, meu crédito, mesmo porque estes estão em outra categoria que não cabe aqui discutir, neste momento...


Fico contente em encontrar respaldo na filosofia e perceber que arte é ilusão, que nos afeta quando ela impõe sua ilusão...universo paralelo que não se trata da arte pela arte, mas ao desafio ao princípio de realidade...


Independetemente de quaisquer conceitos, pra mim, o estatuto que define arte, diz repeito àquilo que provoca alguma reação, alguma emoção, não da ordem do sensível apenas, é claro...Mas vou parando por aqui, porque afinal, a intenção inicial era deixar no ar as perguntas...Mas obviamente, quem bem me conhece, sabe de minha pontualidade na fala, crítica, efusiva e deliberadamente verossímil...
Priscila Anversa


domingo, 22 de novembro de 2009

Potência intempestiva



Dizem que uma imagem fala por si, que não necessita de palavras nem interpretação. Claro que sou adepta a este discurso. Entretanto, enquanto pesquisadora de Semiótica, há momentos em que é necessário estruturar uma leitura de imagem para poder encontrar as diferenças. A comparação estabelecida ajuda a criar julgamentos e por fim, interpretar um texto visual, e assim, exercitar potencialmente minhas inquietações artísticas...




Se bem que o artista que provoca todo este rebuliço em meus pensamentos, o grafiteiro britânico Banksy, certamente não compartilha a idéia da semiótica... Ele é um tanto recluso, não aparece na mídia, não faz alarde, não é celebridade...mas sua arte é mais que grandiosa, é silenciosa, é um tapa na cara, porque me faz engolir seco certos conceitos, envergonha-me enquanto pessoa por estar limitada também...por não poder fazer nada, assim como ele, a não ser expressar-me por palavras, ou pela arte...Moral da história? Globalização. Sim, temos a arte política, crítica, nua e crua também.

O artista plástico é conhecido por seus grafites, pinturas, intervenções e stencil art. Sempre criticando os problemas sociais, incorpora o humor e sarcasmo em suas produções. Sim, ele está entre os meus artistas favoritos, os quais felizmente não consigo definir ordem de preferência...
Aprecio demais a crítica à sociedade do consumo, mais precisamente, aos americanos. O filósofo Buckhardt fala sobre a cultura do Renascimento na Itália, referindo-se à moral e religião, onde é possível reportar aos Estados Unidos. O que os italianos foram para Renascimento é o que os EUA são para o pós-modernismo. "Uma grande nação, entrelaçada por sua cultura, seus feitos e sua experiência, (...) pode permitir-se ignorar tudo, tanto seus acusadores quanto seus defensores: ela segue vivendo (...)”. (BUCKHARDT, A cultura do Renascimento na Itália: um ensaio,1991)

A obra de Banksy mesmo que figurativa, está inserida no conceito de aparição, de configuração. Ela não é a representação do mundo em si, mesmo que represente uma situação. Ela é a representação da representação. Aquilo que está ali, visível, é invisível. O que se mostra está além do visível, além do que os nossos olhos olham. Mas isso é uma "esquizofia" filosófica sem fim...A verdade é que a arte têm funções múltiplas. Geralmente a função social e política costuma ser discutida na arte, e não na publicidade, por exemplo, que em sua maioria já transmite uma ideia pronta - a imagem já nos diz o que significa antes mesmo de pararmos para pensar.
Na realidade o que precisamos saber não requer imagem para nos comunicar, como já disse Baudrillard...já está em nosso íntimo, em nossa consciência, basta exercer o ato de pensar, buscar, querer, e principalmente, ser...
Priscila Anversa

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Família: Vide Bula

Tarsila do Amaral, "A família", 1925
Depois de quase dois anos pesquisando sobre o tema, descobri porque este assunto tanto me perturba. Por mais que eu tenha detectado alguns fatores, ainda não consigo formular em palavras aquilo que sinto, aquilo que penso. O que sei é que a dimensão da problemática é maior do que imaginamos, e pior, as relações entre família e escola se dissipam cada vez mais. Nós, profissionais da educação, esbarramos com essas questões o tempo todo, porque família e escola são temas vizinhos e cúmplices, no que diz respeito à escolarização. Rosely Sayão e Julio Groppa Aquino discutem em seu livro "Família: modos de usar" pontos importantes na edificação desta complexa relação - família, escola e pós-modernidade. De fato não existe um guia, um manual ou uma bula que possa esclarecer como tratar estes problemas de forma prática. Porém, algumas considerações, por mais sarcásticas que pareçam, são muito adequadas quando os autores resolvem ao invés de escrever um prólogo, como em todo livro, apresentam uma bula, remetendo ao fato de a mesma encontrar-se em toda a caixa de remédio, embora a maioria dos usuários não a utilizem. É uma excelente metáfora, porque casualmente é isso que acontece...as famílias vão se "pedagogizando" por si, preferem mais as informações clichês sugeridas por livros de auto-ajuda e programas da mídia, do que enfrentar os problemas existentes na educação dos filhos através da maneira mais simples, que é a confiança mútua para com a escola...eis alguns trechos da bula familiar sugerida pelos autores acima citados:


SUPERDOSAGEM


O uso abusivo das ações familiares, mormente relacionado à superproteção por parte dos pais, pode gerar dependência, sobretudo na infância e ao término da juventude, Os sintomas resultantes da superdosagem costumam ser reversíveis, se imediatamente acompanhados por ações que precipitem a responsabilidade e a liberdade rumo à vida adulta


INTERAÇÕES


As ações familiares são necessárias e, salvo melhor juízo, suficientes apenas no início da vida de um indivíduo. Imediatamente após, torna-se imprescindível a interação com outras instituições, em especial a escola. É esta que mediará o envolvimento do indivíduo com o mundo público. Para que a interação com a escola produza resultados benéficos, os tempos e os espaços de atuação desta e da família devem ser diferenciados, porém complementares. Em situações em que são constatadas práticas invasivas mútuas, a reação é oposta à esperada por ambas. Indica-se, portanto, uma relação de delegação confiante e discrição respeitosa entre as partes.


CONTRA-INDICAÇÕES


Laços familiares são contra-indicados para ególatras, narcisistas e pessoas não generosas em geral. Ainda, filhos como projeto narcísico ou objeto de consumo, frutos da pressão social, são veementemente contra-indicados.
Pri Anversa

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

4° Ciclo de Investigações do PPGAV - 2009




Acontecerá nos dias 09, 10 e 11 de novembro o Ciclo de Investigações do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais. Na sua quarta edição, o tema escolhido para o Ciclo de Investigações do PPGAV/UDESC 2009 foi DESLOCAMENTOS REFLEXIVOS, o qual possibilita desdobramentos e reflexões no âmbito de três eixos, os quais correspondem às linhas de pesquisa do PPGAV: Processos Artísticos Contemporâneos, Teoria e História da Arte e Educação em Artes Visuais.

Para maiores informações, acesse: http://ciclo2009.wordpress.com/

PROGRAMAÇÃO DA MINHA COMUNICAÇÃO
Florianópolis – Campus Itacorubi – UDESC
Horário: das 14:00 às 16:00 horas
DIA 09 de novembro de 2009 – SEGUNDA-FEIRA

ESPAÇO 1:
Priscila Anversa – Investigações sobre a família, a escola e o ensino de arte – ressonâncias e inserções na educação inclusiva

Bem, como sou egocêntrica, só postei o horáio da minha comunicação...Mas para quem tem interesse, acessar o site acima descrito, no link programação.
Amigos, favor comparecer para prestigiar minha pesquisa! Nem que seja somente para dar volume!


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Uma certa antropofagia, ou seria fome de arte?


Alimentando a alma, o intelecto, o pensamento, a emoção e a criação.
A ida à Bienal foi mais que produtiva. Foi e é uma experiência única e completamente inspiradora. É encantador um evento deste porte, uma cidade com tamanha cultura. Quando vi a mediadora em meio a uma turma de adolescentes de uma escola qualquer, no MARGS, parei por um instante e senti inveja...inveja de não poder proporcionar este momento aos meus alunos. Robert Ott está coberto de razão quando pontua que nada subsitui a experiência no museu. Ainda mais quando se trata de arte contemporânea, de vivência, de efemeridade. Se sou sensível ou romântica demais? Talvez, mas de fato sou apaixonada por Arte, por cultura, além do que, muita coisa me toca a alma, desde a cidade de Porto Alegre, com seus prédios de arquitetura exuberante, a cidade respirando cultura e arte...acho o máximo! E volto cheia de inspiração e novidades, ansiosa para a próxima...
Pri Anversa


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Hélio Oiticica: Obras viram pó

O acervo do artista Hélio Oiticica foi tomado por um incêndio, repercutindo diferentes opiniões: se é lamentável, ou se finalmente houve a realização plena do trabalho do artista como efemeridade. Não sei, eu fico triste, porque sou apegada ao material, ao registro, e em arte, ainda sou meio primitiva quanto à ideia de que ela não necessita registros, que é passageira...gosto da nostalgia concreta!

REPERCUSSÃO
"Oiticica é tudo. Estou em estado de choque. É uma fatalidade" LISETTE LAGNADO, curadora da 27ª Bienal

"É uma perda lastimável para se entender a arte internacional. Oiticica deixou as fronteiras da arte brasileira" TADEU CHIARELLI, curador e professor da USP

"É como se um pedaço de cada artista brasileiro tivesse se incendiado também. É uma tragédia cultural" CILDO MEIRELES, artista


"A única forma de sair dessa tragédia é replicar as obras conceituais" ROBERTO AGUILAR, artista plástico"

Não sei quais eram as condições da casa. Vamos pedir um laudo para fazer um diagnóstico" JOSÉ DO NASCIMENTO JÚNIOR, presidente do Instituto Brasileiro de Museus, ligado ao MinC

"É desastroso. Mais um fato que mostra como é frágil a relação entre o privado e o público. Por que as famílias têm tanto poder sobre o legado de um artista já morto?" MARTIN GROSSMANN, diretor do Centro Cultural São Paulo



"O lamentável nesse incêndio é que destruiu uma das contribuições mais originais, inventivas e audaciosas da arte brasileira" FERREIRA GULLAR, poeta e companheiro de Oiticica no neoconcretismo

"Acho lamentável. O Hélio tem uma importância fundamental" LEDA CATUNDA, artista plástica

terça-feira, 13 de outubro de 2009

V Encontro do Grupo de Pesquisa Educação, Arte e Inclusão


O V Encontro do Grupo de Pesquisa Educação, Arte e Inclusão é uma atividade do Grupo de Pesquisa “Educação, Arte e Inclusão”, vinculado ao CNPq. Com a intenção de intercambiar as produções de investigadores dentro e fora do Brasil, o grupo prioriza os temas que relacionam educação e arte com a temática da inclusão. Neste sentido tomamos o tema da inclusão numa abordagem ampla. Consideramos a inclusão social, tecnológica, inter-étnica e das pessoas com necessidades especiais.

Partilhamos um referencial teórico-prático que identifique, analise e diagnostique a situação da inclusão no Brasil, suas políticas públicas, as práticas culturais na escola e as inovações escolares. O grupo de pesquisa produz uma interface com o campo do Ensino de Arte no que diz respeito à produção de objetos pedagógicos para a inclusão, focando uma parcela de suas pesquisas na formação do professor de arte, da produção artística de crianças em classes inclusivas. Pretendemos no evento veicular uma produção singular na interface, educação, arte e inclusão, objetivando as produções locais com investigações de outros grupos de pesquisa e com outros países onde existem parcerias com o grupo de pesquisa a exemplo de Portugal (Universidade do Minho) e Espanha (Universidade de Cádiz).


QUANDO? 19 e 20/10

ONDE? Auditório da ESAG - UDESC - ITACORUBI


Informe-se sobre programação completa em: http://sistemas.virtual.udesc.br/cursos/encontro/


E COMPAREÇA À MINHA COMUNICAÇÃO PRA DAR AQUELA FORÇA!!!DIA 20/10, 9h