Possibilidade da utopia retrospectiva...onde em determindado instante, um acontecimento ocorre, portanto existe...
Mas como existência não é tudo, este acontecimento só não é efêmero porque acabo de registrá-lo aqui.
Outra vez, me encontro divagando sobre arte, sobre processos, sobre a vida,...sobre sabe-se Deus o que...mas partilho meus pensamentos comigo mesma...e com quem se sentir à vontade com o assunto...e quiser continuar lendo isso tudo...
Como dizia o escritor mexicano Carlos Fuentes na contracorrente de seus contemporâneos que lutavam com a escritura, "a angústia é uma mentira psicológica" e que "escrever é um prazer"
"Um prazer...
Como um beijo
- romântico ou lascivo?
Como sexo
- para mim ou para ele?
Como suor
- repousando quente, ainda lava, ou escorregando frio sobre a pele temerosa?
Como uma fuga
- definitiva ou sintomática?
(...)"
Portanto, escrevo, enquanto não esgotar minhas forças, escrevo, pactuante ao ponto de vista do poeta, "como um beijo, sexo e suor"...
Mas voltemos à angústia acerca da arte...
Baudrillard diz: "A arte que provoca uma emoção tanto mais forte na medida em que é imperfeita, fortuita e fragmentária..."
A palavra "arte" é um problema: o que se compreende, intuitivamente com o termo é o que se resume nos discursos, nas aulas, nos museus, nas insituições, na história da arte...Mas existem obras que se distinguem suficientemente do percurso das coisas, da banalidade para merecer o nome de arte? Qual é afinal, o poder da arte?
Hoje, limitar-me-ei a questionar, quero evitar responder coisas das quais não se têm resposta ...
Obviamente o chavão "se tudo é arte nada é arte" é válido para pensarmos em alguns paradoxos...Mas a minha defesa para manter-me "nula" diante de um diálogo tão importante e empírico é a arte-educação. Eu, enquanto arte-educadora não posso ditar conceitos, devo dar um empurrãozinho aos meus alunos para que construam cada qual sua ideia.
Não é lavar as mãos, pelo contrário, é ser rigorosa e extremamente cuidadosa pra não ser aquela professora quadrada que desconsidera artistas pelo simples fato de estarem no campo do consumo. Ora, não sejamos hipócritas em extenuar este discurso como se a grande maioria dos artistas que existem ou que já existiram não transitam neste campo entre arte versus consumo.
E mesmo os que negam o consumo e repugnam o mesmo tiveram/têm seu mérito, aliás, meu mérito, meu crédito, mesmo porque estes estão em outra categoria que não cabe aqui discutir, neste momento...
Fico contente em encontrar respaldo na filosofia e perceber que arte é ilusão, que nos afeta quando ela impõe sua ilusão...universo paralelo que não se trata da arte pela arte, mas ao desafio ao princípio de realidade...
Independetemente de quaisquer conceitos, pra mim, o estatuto que define arte, diz repeito àquilo que provoca alguma reação, alguma emoção, não da ordem do sensível apenas, é claro...Mas vou parando por aqui, porque afinal, a intenção inicial era deixar no ar as perguntas...Mas obviamente, quem bem me conhece, sabe de minha pontualidade na fala, crítica, efusiva e deliberadamente verossímil...
Priscila Anversa








