quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Modigliani: Imagens de uma vida

A exposição, a maior individual já feita do artista no país, traz obras do italiano Amedeo Modigliani (1884-1920) para a abertura das atividades do Ano da Itália no Brasil, a ser comemorado até setembro de 2012. A mostra internacional traz 188 pinturas, esculturas, desenhos, documentos e outros itens do acerto do Instituto Modigliani, situado em Roma. Ela pretende traçar um panorama entre a vida do artista e sua obra, que marcou novas formas na pintura — e na qual se veem quase sempre mulheres, despidas ou não, muitas delas suas amantes. No Brasil, a exposição fará um circuito por três capitais, em parceria com o Museu a Céu Aberto. Será inicialmente exposta em Vitória, no Salão Afonso Brás, do Palácio Anchieta, a partir de 18 de outubro a 18 de dezembro, com entrada gratuita. Em janeiro, vai para o Rio (Museu Nacional de Belas Artes) e em abril chega a São Paulo (Masp).

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Tá quase

Por gentileza, me vê um copo de água... tônica, para fortalecer minhas ideias...elas estão se esgotando. Traga também um pedaço de bolo de chocolate, para que eu tenha energia pra chegar até o fim. O fim, está próximo...contagem regressiva. Céus, será que precisarei de um terapeuta também? Para tratar de minha depressão “pós-parto”? Isto. Não se esqueça de enviar um terapeuta, e dos bons, para auxiliar-me a caminhar novamente sem minha sombra, ou melhor, para fazer com que ela, de agora em diante, caminhe ao meu lado...

Desabafo de uma mestranda...quase Mestre



quarta-feira, 9 de março de 2011

Família no Museu: Um Encontro Inclusivo


O GOVERNO DO ESTADO DE SANTA CATARINA ATRAVÉS DA SECRETARIA DE TURISMO, CULTURA E ESPORTE, FUNDAÇÃO CATARINENSE DE CULTURA E MUSEU HISTÓRICO DE SANTA CATARINA

CONVIDA PARA O PROJETO

FAMÍLIA NO MUSEU: um encontro inclusivo
O projeto Família no Museu: um encontro inclusivo é destinado às famílias que possuem em seu meio pessoas com deficiência, interessadas em participar de ações voltadas à inclusão e acessibilidade através da Arte, Cultura e Lazer.

O programa consiste em promover uma ação educativa às famílias que queiram visitar exposições temporárias de arte no Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa.

Promovido por Priscila Anversa (PPGAV/UDESC) e Stéfanie Rocha (Licenciatura em Artes Visuais/UDESC), sob orientação da Drª Maria Cristina da Rosa Fonseca da Silva, o projeto proporcionará momentos interativos da família no museu.

Os encontros acontecerão aos domingos e serão gratuitos. As famílias poderão efetuar pré-inscrição pelo telefone (48) 3028-8091 ou na administração do museu, no horário das 13hs às 19hs. As vagas são limitadas.

Datas: 27 de março; 17 de abril; 29 de maio e 19 de junho

Horários: 10h00min às 12h00min

13h00 às 15h00min

As inscrições serão confirmadas pela equipe do projeto.

O QUE: Projeto Família no Museu: um encontro inclusivo
QUANDO: 27/03, 17/04, 15/05 e 19/06/2011
ONDE: Museu Histórico de Santa Catarina Palácio Cruz e Souza
Praça XV de Novembro, 227 – Centro – Florianópolis - SC
INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES: (048) 3028-8091
MUSEU HISTÓRICO DE SANTA CATARINA
Palácio Cruz e Sousa - Praça XV de Novembro, 227 - Centro - 88010-400 - Florianópolis - SC
Fone:(48)3028-8091 - mhsc@fcc.sc.gov.br

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Ins-pirações da madrugada

Sei que estou devendo uma postagem nova. E não é pra ninguém. Mas a mim. Tenho tido muitas inspirações, também muitas pirações e aspirações, ideias para publicar, mas parece que meu lado pesquisadora e professora falam mais alto. Talvez por causa dos prazos e compromissos. Todo o resto (que por sinal é mais importante) fica sempre pra depois. Digo mais importante porque preciso ler coisas banais, escrever coisas banais, fazer coisas banais, porque estas fazem um bem danado. Preciso voltar a escrever por escrever, ou melhor, escrever por querer, sem referenciais teóricos, preciso deixar recadinhos no Orkut do meu Anjo, fazer-me maior e melhor. Madrugada à fora, cá estou, dando um tempo de meu capítulo 4, lembrando de meu fim de semana intenso no Museu Oscar Niemeyer, mas que merece, sem dúvida, uma postagem decente. Por hora, li uma frase de Bourdieu que lavou minha alma, acalentou minha mente, fez-me forte e credora, de que apesar dos pesares, das dificuldades, das barreiras muitas vezes intransponíveis, dos percalços, estou no caminho. Diz o mestre que "nada é mais universal e universalizável do que as dificuldades". Isto ele falou em 1989 a um grupo que iniciava um seminário de Ciências Sociais na Universidade...Bourdieu, você salvou meu dia, quer dizer minha noite, ou melhor meu dia que acaba de começar, mesmo sendo de noite, e não de dia...Ah, isso é filosofia demais, tentar entender porque o dia começa de noite, porque o dia se chama dia, e não outra coisa...Bem, nem direi que já está tarde...tarde? a tarde ainda está longe de chegar...mas que está tarde, isso está. Bye.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Certos avessos


De cara, já lhes digo um: a vontade exacerbada em escrever devaneios em plena reta final de capítulo 3 da dissertação. Não que isso seja um crime. Mas o sinto como tal. Como ouso perder tempo com este tipo de coisa? Mas deixemos este dilema de lado e vamos ao que interessa. Os antagônicos à que me refiro são mais cabeludos do que uma “traição” à dissertação. Por que pré-adolescentes ou até mesmo crianças já pintam seus cabelos ou os alisam de forma “permanente”? Hoje uma aluna de 8 anos, negra, apareceu com seus cabelos lisos. Daqui a pouco pode ser que aparece loura, ou com mechas... Não que isso seja equivocado ao senso comum, que idolatra Beyoncé, que já -em minha opinião - nem pertence mais à “classe” afro-descendente... Talvez esta minha aluna continue a camuflar sua afro-descendência, porque as pessoas também vão achá-la mais bonita quanto menos negra ela for e quanto mais características ocidentais ela tiver. Não que você não deva buscar ser feliz com sua aparência, mas concluo que cada vez mais o ideal de beleza exclui as especificidades de cada “raça”. Por exemplo: misses são sempre ocidentais, e até mesmo as orientais são possuidoras de muitos traços ocidentais, que amenizam sua “orientalidade”; as negras misses são as de nariz fino e pele semi-caucasiana. Podem, é claro, ter lábios carnudos, mas de leve. (...) Mudando de saco pra mala (ainda, é claro, falando de avessos), gostaria de reivindicar elevadores em edifícios para dois tipos de animais (ao invés de social e de serviço): elevadores para animais domésticos e elevadores para neandertais. Claro que os neandertais somos nós, quer dizer, eu não, pois não me incluo nesta categoria, e tenho certeza de que meus afins também não. Cabe aqui citar Félix Guattari, que, expondo sua indignação perante um mundo que se deteriora lentamenteque, institui três pilares essenciais que todos deveríamos ter, as três ecologias, que são a ética (relações sociais), a estética (subjetividade humana) e o meio ambiente. Isso é o que o pessoal que se intitula condômino definitivamente não tem. Por que um animal limpo, vacinado e “anti-vermifugado” tem que ser transportado em uma caixa num intervalo de tempo de alguns segundos - no elevador - para sair com seu dono? Onde deixar a caixa após o uso, se vou passear com o cão? Devo pedir para que o animal gentilmente espere por mim do lado de fora do condomínio até que eu suba e leve a caixa? Ou, posso optar por levá-lo no colo, ficando assim profundamente grata a quem fez o regimento interno por enrijecer meu bíceps ao segurar um cãozinho de quase 10 quilos... Desconsiderando aqui o fato de eu estar carregando simultaneamente uma mala (vulgo bolsa) e ter que chavear a porta de entrada...com o cão no colo, a bolsa no braço entre outros... Por isso eu insisto, e reivindico: Elevador social (para animais) e elevador anti-social (para neandertais, ranzinzas, mal-amados, síndicos, condôminos em geral e demais simpatizantes, quer dizer, anti-simpatizantes, pois desconhecem o termo simpatia).
Pois bem caros leitores, encerro meus avessos, meus adversos, minhas oposições, pois o dever literalmente me chama. Aurevoir!

sábado, 11 de setembro de 2010


Sabe aquele dia que você chega exausta, como se um trem tivesse passado por cima?
Bem, este dia foi ontem. E para minha alegria, um bom filme me aguardava. Georgia O'Keeffe...
Para quem aprecia um bons filmes, eu recomendo... não desses que só servem para passar tempo alienando-se em frente à televisão...Nem tampouco um daqueles que te dão tédio e sono.
Uma história belíssima, tocante, que te faz pensar sobre valores e outras tantas coisas da vida.
Muito bom filme. Eu recomendo. E assisto junto, de novo. Amei. Chorei. Revoltei-me. Discordei. Concordei...enfim, minha exaustão foi embora e momentaneamente minha mente encheu-se de coisas boas..

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O retorno de Jedi




Depois de 5 meses em abstinência, sem sequer acessar minha própria página - relegada ao abandono - levo um susto ao perceber que o contador de visitas, que estava em cento e poucos da última vez que acessei, atualmente, marca em torno de 500.
Achei o fundo meio brega...será que mudei tanto em tão pouco tempo?
Troquei de imediato...
Bem, 5 meses de intensa leitura, um aprimoramento imenso na forma de escrever, na forma de criticar e argumentar, volto ainda sem forças, mas com vontade de devanear como que jamais estive.
No fundo, uma sensação de esgotamento contamina minha mente, em função de estar escrevendo a dissertação, artigos, preparando a qualificação, coletando dados, e tendo muitas responsabilidades nas escolas. E isto é somente o lado profissional e acadêmico. Abstenho-me de informar-lhes o restante dos estresses.
No que concerne às minhas inquietações: sim, ainda as mesmas. Com uma pitada a mais de Marx e Bourdieu.
Hoje, leio todo dia antes de dormir. E não é livro acadêmico. São "banalogias", crônicas, aventuras, não importa... leituras que me fazem ora dormir, ora rir, ora pensar que estou lendo isso sem mais sentir culpa.
A próxima etapa é relaxar diante de um filme, relaxar, relaxar...
Mas a sombra...ah a sombra, ela me persegue...ela é eu, igualzinha. É meu outro Eu, que lembra-me o tempo inteiro de meu compromisso "Mor"...
Acompanha-me quando dirijo, quando cozinho, quando tomo banho, quando converso com alguém, quando trabalho, quando durmo, até mesmo quando faço amor...
Acho que quando eu concluir meu mestrado, ela vai levar uns dias para desagregar-se de mim...
E para concluir, que cá entre nós é algo complexo, pois, no meu caso, vou desenrolando outros assuntos que não estavam no script, e o texto sempre fica maior do que devia, deixo a agradável escrita de Jorge Luís Borges: "Um escritor deve escrever para alegria do leitor"




quinta-feira, 18 de março de 2010

Baú de frases


Não vivo sem uma frase inspiradora..sempre vasculhando sites e livros, anotando o que me chama atenção. Compartilho com os leitores as que mais me provocam e instigam. Apreciem...


Pra que preciso de pés, quando tenho asas para voar? Frida Kahlo


Adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito. Fernando Pessoa


A única verdade é que vivo. Sinceramente, eu vivo.Quem sou?Bem, isso já é demais.... Clarice Lispector


Temos a arte para não morrer da verdade. Nietzsche


Ao fim de uma vida preenchida pelo medo, o medo que mais apavora é a ausência de medo. Bauman


Pensamentos são admiráveis, mas sensações são igualmente maravilhosas. Voltaire


Um amor, uma carreira, uma revolução: outras tantas coisas que se começam sem saber como acabarão. Sartre


Torna-te quem tu és. Desconhecido


Perder-se também é caminho. Clarice Lispector


A educação deve ter como preocupação a formação de pensadores livremente criadores e originais capazes de inventar novos modos de existência. Nietzsche


... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente.
Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre. Miguel Sousa Tavares


A escrita é esta curva que o giro da busca evocou e que reencontramos na curvatura da reflexão. Blanchot


Um minuto de felicidade vale mais que mil anos de glória.


Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento. Clarice Lispector


Não existe comparação entre aquilo que é perdido por não se obter êxito e aquilo que é perdido por não se tentar. Francis Bacon


que fazemos repetidamente. Por isso o mérito não está na ação e sim no hábito. Aristóteles


O presente é um presente. Desconhecido


A pintura é poesia sem palavras. Voltaire


Não queremos perder, nem deveríamos perder: saúde, pessoas, posição, dignidade ou confiança. Mas perder e ganhar faz parte do nosso processo de humanização. Lya Luft


E eu que me contentava com risco de giz na lousa, nem desconfiava da vastidão do verbo riscar. Riscar palavras que sobram nos poemas, riscar pessoas que me machucaram, riscar o medo. Aquele medo que era do tamanho do meu desejo. Vontade de arriscar. Gisela Gold


Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar. Nietzche


É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se transforma lentamente no que eu digo. Clarice Lispector


A arte de viver é simplesmente a arte de conviver ... simplesmente, disse eu? Mas como é difícil! Mario Quintana


A maioria pensa com a sensibilidade, eu sinto com o pensamento. Para o homem vulgar, sentir é viver e pensar é saber viver. Para mim, pensar é viver e sentir não é mais que o alimento de pensar. Fernando Pessoa


Só existe dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver!' Dalai Lama


Onde você está não tem metade da importância se comparado para onde você está indo. Desconhecido


Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde podemos encontrar a cura dos mais diversos males. Voltaire


A dúvida é desagradável, mas a certeza é ridícula. Voltaire


As paixões são como ventanias que enfunam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveria viagens nem aventuras nem novas descobertas. Voltaire


O que não provoca a minha morte faz com que eu fique mais forte. Nietzsche


O segredo é não correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. Mario Quintana


Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário as coisas:- assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas. Nietzsche

quinta-feira, 4 de março de 2010

Brian Hunter - Mattresses

O que você faz com um colchão além de dormir, relaxar e fazer amor?
O artista Brian Hunter faz muito mais que isso: faz arte!
Não somente o colchão é o suporte de sua obra, como também lençóis, sacos de dormir, apetrechos que tenham relação com o ato de descansar o corpinho. Além do mais, são colocados no espaço urbano, gerando diversas reações ao espectador que aprecia...
É fantástico a relação que ele cria entre aquilo que é essencialmente particular: lençóis, travesseiros, colchões, etc, os quais denunciam as "manchas" do amor, o desgaste, o cansaço, em oposição ao que é público, na medida em que expõe no espaço urbano.






Priscila Anversa

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Pela Inclusão de Artistas nos Museus Brasileiros

Um abaixo assinado destinado ao Ministério da Cultura está solicitando aos artistas plásticos de todo o país para que tomem partido a um assunto relacionado ao reconhecimento dos profissionais da área.
Colegas e amigos! É importante que assinem, sem medo; tem credibilidade e segurança.
Não lavem as mãos, não passem a bola pra outro como se você não tivesse nada a ver com isso. Um abaixo assinado tem sentido e valor!

Eis o texto so site

OS MUSEUS BRASILEIROS ABRIGAM AS ARTES?
O IBRAM PENSA QUE NÃO

Os artistas abaixo assinados, integrantes do Conselho Nacional de Política Cultural -(CNPC), como representantes dos segmentos artísticos da sociedade civil, manifestam seu repúdio ao EDITAL Nº 1 do INSTITUTO BRASILEIRO DE MUSEUS-IBRAM, solicitando ao Exmo. Sr. Ministro da Cultura que ordene sua imediata suspensão e reformulação.

Não bastava o Ministério da Educação, através de suas Universidades Federais, manter longe de seus quadros profissionais de diversas artes formados por elas próprias, por conta de seu equivocado Plano de Carreira (Lei 11.091/2005), conforme já denunciado por nós (Moção n. 2 do CNPC, de 4/6/2008, entregue em mãos ao Ministro Fernando Haddad).

Agora é o próprio Ministério da Cultura que ignora solenemente as artes!

Em 2009, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) já realizou concurso para 26 técnicos nas áreas de Arquitetura e Urbanismo, Arqueologia, Antropologia, Arquivologia, Biblioteconomia, Conservação-Restauração de Bens Culturais Móveis e Integrados, Educação, Engenharia Civil, História e Museologia. Nada contra, mas por que apenas 1 com formação em História da Arte?

Agora é o recém-criado IBRAM, cujo edital, com inscrições encerradas dia 23/2/2010, oferece 184 vagas para candidatos graduados em Administração, Economia, Análise de Sistemas, Contabilidade, Engenharia, Psicologia, Comunicação, Relações Internacionais, Arquivologia, Antropologia, Arqueologia, Arquitetura, Biblioteconomia, História, Museologia e Sociologia. Outras 47 poderão ser preenchidas por diplomados em “quaisquer ciências humanas e sociais”. Àqueles que se dedicaram ao estudo das diversas artes, restam eventualmente as 6 vagas de “Analista I”, para graduados “em qualquer especialidade”!

Pergunta-se: onde os saberes artísticos encontrarão reconhecimento? Quando a “gestão cultural” federal sentirá necessidade deles? Que museus são estes, que não abrigam em seus acervos pinturas, esculturas, partituras...? Que patrimônio cultural é este, que exclui gravações musicais, indumentárias e registros de danças populares e de literatura oral? Publicações, vídeos e todo o tipo de documentos sobre teatro e circo?

Na certa não são os museus brasileiros, os existentes ou os que pretendemos construir.

Não podemos ficar calados diante deste erro grave, de consequências duradouras, cometido em pleno nascimento de uma instituição tão importante, sonhada e festejada por todos nós militantes da cultura e das artes.

Com a palavra, o Sr. Ministro.

Brasília, 23 de fevereiro de 2010.

Representantes da sociedade civil no CNPC, por área artística:
Adriano Souza Araújo (titular/música popular)
Alice Viveiros de Castro (titular/circo)
Álvaro Santi (titular/música erudita)
Amilson Godoy (suplente/música erudita)
Bruno Monteiro (titular/artes visuais)
Du Oliveira (suplente/música popular)
Maria Beatriz de Medeiros (suplente/arte digital)
Patrícia Kunst Canetti (titular/arte digital)
Solange Lima (suplente/audiovisual)
Wagner Barja (suplente/artes visuais)

Acesse: http://www.petitiononline.com/ib10/petition.html

ASSINE!

Priscila Anversa

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Quanto mais caro, melhor?

Duas páginas da revista Veja de 10/02/2010 prenderam minha atenção para um novo índice no mercado da arte: um leilão vende a obra mais cara do mundo – 104,3 milhões de dólares. A boa nova? Quando uma peça artística bate recorde de preço é sinal de que a economia vai bem!
Que bom, então, deveríamos estar pensando!
Bem, para o mercado que é um nicho entre tantos outros gigantes, tudo bem.
Mas pera lá...Vamos convir que é complicadíssimo engolir tal valor. E vem a pergunta: como é possível atribuir um valor a uma obra de arte? Mas a questão não é bem esta. Alguns artistas que hoje tem obras avaliadas em milhões renegaram a “prostituição” pública enquanto vivos.
Estes valores estrondosos que causam tanto burburinho entre a plebe são de fato incompreensíveis, incomensuráveis, principalmente para quem custa a comprar um singelo artesanato se o mesmo custar mais que 30 reais. Não por que não valorizamos nosso dinheiro. Com 30 reais você faz uma refeição a dois no McDonald’s (e sem peso na consciência...) Eis que suas prioridades são outras. Saciar a vontade de comer dá mais prazer que olhar para uma miniatura de renda de bilro jogada no canto de seu criado mudo... Ta bom, não tem como comparar um artesanato de 30 reais com uma obra vendida a quase 105 milhões...De fato, ambas são “bibelôs”, uma do pobre, outra do rico. Mas não deixam de ser objetos, que só terão valor na medida em que a pessoa que adquirir depositar alguma consideração no objeto em si, seja o artesanato da rendeira ou a obra de arte.
No início de fevereiro a escultura O homem caminhando I – um bronze com 1,83 metros de altura - de Giacometti, foi arrematada por 104,3 milhões de dólares, em Londres. É o mais alto preço já pago por uma obra. O recorde anterior pertencia a Pablo Picasso, Menino com Cachimbo, vendida por 104,1 milhões, em 2004.
O que define o valor de uma obra de arte? Existem muitos aspectos no entorno da arte e da economia. A idade do artista, a complexidade de uma obra em dada época. O leilão começou com dez lançadores, findou com dois e em 10 minutos. O salão explodiu em palmas. Era o novo recorde mundial. Em valores atualizados considerando a inflação, Picasso permanece à frente, com 118 milhões. Van Gogh, com Retrato do Doutor Gachet, que foi arrematado por 82,5 milhões há vinte anos, hoje equivale a 135,5 milhões, é ainda campeão mundial.
A lei da oferta e da procura é o que justifica o preço da obra de Giacometti, pois suas obras mais importantes raramente chegam ao mercado.
Para uma escultura o valor pago é estratosférico. O recorde pago foi de Brancusi, 36,8 milhões.
Giacometti era venerado por Sartre, que o chamou de “santo existencial”. Era o arquétipo do artista de seu tempo: sentava nos cafés de Paris, fumava um cigarro atrás do outro, raramente comia antes da meia-noite e dizia ter medo de suas próprias esculturas. Morreu aos 65 anos em 1966. Foi valorizado efetivamente na década de 80. Hoje, uma das esculturas que causavam pavor no próprio artista é recorde mundial no mercado de arte. A pergunta que não quer calar? Quem levou esta bolada toda? Tomara que a família seja grande, pois a herança é...

Priscila Anversa

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Arte e Vestibular - queridos, chegamos!!!


Arte está em exames de Enem, Unesp, UnB e FGV-Direito

Amém!


Não é novidade que estamos "comendo pelos cantos", que devagarinho, a arte tá chegando.


Espia o que Patrícia Gomes, da Folha de São Paulo relata:


Além de exigir que o aluno domine as disciplinas tradicionais do ensino médio, tornou-se comum os vestibulares cobrarem também conhecimentos de arte, que são pedidos inclusive no novo Enem.
Questões sobre manifestações plásticas, cênicas e visuais e sobre música deverão ser respondidas, ao menos, pelos 4,5 milhões de estudantes inscritos no Enem e pelos candidatos de Unesp, FGV-Direito e UnB (Universidade de Brasília).
Mas não é preciso entrar em pânico. Os organizadores dos exames seletivos dizem que não serão cobrados conhecimentos específicos, mas sim capacidades interpretativas, de relacionar as artes com outras disciplinas e com o cotidiano.

Na Unesp, a disciplina foi incluída no programa neste ano, como parte de um conjunto de alterações que modificou todo o vestibular da instituição.
Também no novo Enem é a primeira vez que as artes estão explicitamente entre as matérias cobradas.
Inep e Vunesp, organizadores, respectivamente, do Enem e do exame da Unesp, dizem que o conteúdo de suas provas é baseado nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), que orientam o currículo do ensino médio. Ou seja, não vão pedir nada além do que o aluno aprendeu na escola.

A Fuvest só cobra artes na prova de habilidades específicas.
Na FGV-Direito e na UnB, as questões de artes não são novidade. Desde o primeiro vestibular para direito na FGV, em 2004, o exame tem perguntas de artes visuais (plásticas e cinema) e literatura.
José Garcez Ghirardi, coordenador de metodologia, diz que, para a FGV, cobrar habilidades nessa área ajuda a selecionar os alunos que a instituição quer. "Eles devem ser capazes de apontar formas diferentes de construir o mundo", diz.
Uma dica para ir bem na prova de artes é estar atento às opções de lazer e cultura. "Incentivo os alunos a irem a museus, cinema, teatro", diz Augusta Pereira, professora de literatura do Cursinho do XI, que vê nos passeios uma forma de complementar o aprendizado.
Mas a coordenação do vestibular da Unesp adverte: "Conselhos como sugerir que se vejam mais filmes ou mais peças de teatro ou se visitem mais museus são ineficientes se o aluno não apresentou um desempenho satisfatório ao longo dos anos de escola, pois não o levarão a aprender o que não aprendeu no tempo devido".

O formato deixa o vestibulando Esdras dos Santos, 24, tranquilo. Candidato a arquitetura, ele dá aulas de violão e já fez vários cursos de desenho.
Esdras diz que intensificou idas a museus no último ano e, na companhia da namorada -também vestibulanda-, tem assistido a filmes relacionados a história, literatura e arte. Ele ainda usa da internet para pesquisar mais sobre os temas.


Meu ponto de vista:


Claro que continuo a abominar o vestibular, a tortura que é para um ser resumir seu conhecimento de longos anos de escola em um ou dois dias. Afunilar todo o conhecimento para um único momento não comprova inteligência de ninguém. Já está mais que provado que o que se decora, em pouco tempo é esquecido, ou seja, que a gente não aprende aquilo que memoriza, e sim o que vivencia, o que é significativo. Convenhamos, decorar fórmulas e conceitos não é nada convidativo, muito menos significativo...

Mas enfim, os que têm potencial de memorização e dominam corpo e mente, mantendo-se concentrados e tranquilos de fato são os que se dão bem. O resto, só trauma!


Voltando à terra...hehehe, graças a Deus as provas de arte não se encaixam nesta classificação, de memorização, decoreba, ou qualquer coisa parecida.

Enfim, uma disciplina que faz pensar, questionar, refletir, está no vestibular!!!


Você deve estar pensando: ela fala isso só porque é da área, e porque gosta de sua profissão, defende seu peixe. Claro que de certa forma é isso; não sou hipócrita e realmente a arte já contaminou minha vida e luto por ela sim, até esgotar minhas forças. Mas neste caso, não se trata disso. Eu confio no poder da educação. Não esta educação que ainda é feita, ainda pautada no vestibular. Mas na educação que visa a constituição do sujeito, enquanto ser pensante, e isso pode ser efetivado com a implantação não somente da arte no vestibular, mas antropologia, sociologia, filosofia, enfim, disciplinas que inclusive deveriam ser parte do currículo nas escolas!


Por gentileza, tirem as aulas que mandam a gente decorar o nome do resultado de uma conta de multiplicação, pois faço cálculos sem saber o nome destas porcarias de dividendo, subtraendo, minuendo e por aí vai. Escrevo sem me dar conta que uso o pretérito perfeito do indicativo, o infinitivo, o bla bla bla que aprendi. Passei em português com gosto, adorava português (ainda gosto é claro); mas por Deus, não faz a menor diferença este conhecimento inútil de nomes e mais nomes....


Sinceridade, a gente passa anos e anos sofrendo com o raio da matemática, qual você precisa de um puta professor pra aprender a gostar, por que do contrário não sai nada, você pega um desgosto que leva pra sempre...claro, é uma tortura não entender nada e ainda assim ter que conseguir, de uma forma ou outra, mesmo que obrigatoriamente...Então, de tudo aquilo, repito, de todo o conhecimento que não me recordo mais, a única coisa que nós cidadãos que não nos tornamos matemáticos, físicos ou engenheiros...ou contadores...hehehe, útil mesmo é uma regrinha de três, e a porcentagem, essa sim, é muito, mas muito útil.


Uma das coisas que sempre sempre falo em alto e bom tom: queridos, não é objetivo da aula de arte formar artistas!

Isto quer dizer que nenhum aluno entra em minha aula pra aprender a pintar, esculpir ou desenhar, e sim valorizar seus atributos, apreender, vivenciar, pensar, criticar, e se for do contexto, pintar, esculpir ou desenhar, mas sem pretensões de vender, expor, ou coisa do tipo. Ou seja, o foco está no processo, não na produção final, fazer por fazer.


Por que raios então, ainda nas aulas de matemática (já que tomei como exemplo), a gente TEM que se tornar matemáticos, feras nos cálculos que depois nos esquecemos com tanta facilidade?

Por que não ensinam apenas aquilo que realmente iremos usar?

De verdade, adianta o cara sacar o cálculo e travar na hora de interpretar problemas, de matemática?

Ah, esqueci, ninguém sabe interpretar texto, ninguém sabe interpretar nada mesmo, sequer um comentário da TV Globo, que dirá um texto. Coitados (dos adolescentes de hoje), tenho pena; você pode fazer a pergunta mais simples, mais objetiva, os alunos custam a entender, a interpretar, porque ligaram o botão do piloto automático e acham a coisa mais complicada do mundo se expressar!


Bah, to indo muito longe...Voltando... sem dilemas de educação:

Fecho o texto com a afirmação de José Garcez Ghirardi, do próprio texto da Folha de SP descrito acima sobre a disciplina de arte. Ele disse tudo: cobrar habilidades nessa área ajuda a selecionar os alunos que a instituição quer. "Eles devem ser capazes de apontar formas diferentes de construir o mundo", diz. Releia: "alunos que a instituição quer". Realmente, a instituição deveria querer alunos que pensem, que criem, ao invés de fichar textos e fazer resenhas durante a faculdade. Não sei onde está esta Instituição dos meus sonhos...
Um adendo: meu curso não foi assim, nem de longe. Aprovo, comprovo e indico. Mas assumo que aprendi mais nos corredores, nas trocas, do que nas aulas em si.
Pensando bem, de todo o ensino, composto de Educação Infantil, Fundamental I, Fundamental II, Ensino Médio, Ensino Superior, Mestrado e Doutorado, Pós-Doutorado...Somente no início e no fim, ou seja, na Ed. Infantil e no Pós-Doutorado é onde você realmente vai criar, vai escolher o que fazer, o que aprender, vai ter no mínimo, um gosto pela coisa...tá, fui longe, no Mestrado também temos igual sensação. Mas o miolo - Ensino Fundamental, Médio e Superior -é árduo, é traumático, somos podados, copiamos, copiamos, e "copia rápido que estou apagando"...e vinha mais um quadro inteiro de cópia...que horror, e ainda é assim....tristeza...
Bem, parei, o devaneio tomou um outro rumo que merece atenção pra outro momento.


Ponto final, encerro por aqui.
Priscila Anversa

domingo, 7 de fevereiro de 2010

O tempo que ganhamos




Havia mais terrenos baldios. E menos canais de televisão. E mais cachorros vadios. E menos carros na rua. Havia carroças na rua. E carroceiros fazendo o pregão dos legumes. E mascates batendo de porta em porta. E mendigos pedindo pão velho. Por que os mendigos não pedem mais pão velho? A Velha do Saco assustava as crianças. O saco era de estopa.




Não havia sacos plásticos. Levávamos sacolas de palha para o supermercado. E cascos vazios para trocar por garrafas cheias. Refrigerante era caro. Só tomávamos no fim de semana. As latas de cerveja eram de lata mesmo, não eram de alumínio. Leite vinha num saco. Ou então o leiteiro entregava em casa, em garrafas de vidro. Cozinhava-se com banha de porco. Toda dona-de-casa tinha uma lata de banha de baixo da pia.




O barbeador era de metal, e a lâmina era trocada de vez em quando. Mas só a lâmina. As camas tinham suporte para mosquiteiro. As casas tinham quintais. Os quintais tinham sempre uma laranjeira, ou uma pereira, ou um pessegueiro. Comíamos fruta no pé. Minha mãe tinha fogão a lenha. E compotas caseiras abarrotando a despensa. E chimia de abóbora, e uvada, e pão de casa.




Meu pai tinha um amigo que fumava palheiro. Era comum fumar palheiro na cidade; tinha-se mais tempo para picar fumo. Fumo vinha em rolo e cheirava bem. O café passava pelo coador de pano. As ruas cheiravam a café. Chaleira apitava. O que há com as chaleiras de hoje que não apitam?As lojas de discos vendiam long plays e fitas K7. Supimpa era ter um três-em-um: toca-disco, toca-fita e rádio AM (não havia FM). Dizia-se "supimpa", que significa "bacana". Pois é, dizia-se "bacana", saca?




Os telefones tinham disco.. Discava-se para alguém. Depois, punha-se o aparelho no gancho.. Telefone tinha gancho. E fio. Se o seu filho estivesse no quarto dele e você no seu escritório, você dava um berro pra chamar o guri, em vez de mandar um e-mail ou um recado pelo MSN. Estou falando de outro milênio, é verdade. Mas o século passado foi ontem! Isso tudo acontecia há apenas 25 ou 30 anos, não mais do que o espaço de uma geração.




A vida ficou muito melhor. Tudo era mais demorado, mais difícil, mais trabalhoso. Então por que engolimos o almoço? Então por que estamos sempre atrasados? Então por que ninguém mais bota cadeiras na calçada? Alguém pode me explicar onde foi parar o tempo que ganhamos?

Autoria desconhecida
Pri Anversa

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Viagem ao centro de...São Paulo



O grupo francês Plasticiens Volants, em sua passagem pelo Brasil, em parceria com OsGêmeos deram vida a um boneco inflável, batizado carinhosamente de "O estrangeiro". O mesmo sobrevoou o céu de São Paulo, causando grande admiração, ampliando os limites e fronteiras da arte.


Pri Anversa

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Presenteando o colégio com arte

Uma das extensões do Projeto Interdisciplinar “Gentileza” do Colégio Dom Jaime Jr de 2009 foi o subprojeto “Presenteando o Colégio com Arte”, mediado na aulas de Artes, o qual teve como objetivo customizar duas mesas de madeira. Com o intuito de que os alunos não apenas construíssem uma pintura, mas que vivenciassem arte, uma série de etapas foram trilhadas para chegar à produção final.



Essas etapas tiveram como base o conhecimento, o qual é norteado pela Abordagem Triangular, que contempla o fazer, o contextualizar e o fruir. Construímos a leitura de imagens de Luciano Martins, articulando com outros artistas que também abordam o universo infantil, ou que em algum momento, apresentaram o tema "criança" em suas obras, como Van Gogh, Renoir, Velásquez, Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Romero Britto, entre outros, reafirmando o lúdico e a arte. A produção se consolidou na personalização das mesas de madeira.




Depois de um bimestre inteiro vivenciando a obra do artista Luciano Martins, a qual engendrou a produção do subprojeto, nossos alunos do 5° ano vespertino tiveram a oportunidade de conhecer o ateliê/galeria do artista. A pesquisa de campo foi um dos desdobramentos do projeto, pois agregou a contextualização necessária acerca do que os alunos estudaram na escola ao contato com as obras e com o artista. As crianças se mostraram extremamente curiosas e críticas em relação ao que apreciaram. Este momento foi muito especial: os questionamentos dos alunos foram ricos, fundamentados e principalmente, críticos. Foi tão intenso que nos faltou tempo, para tanto diálogo. Além de que, o artista nos surpreendeu realizando uma pintura no ateliê. Excepcionalmente fez uma demonstração de seu processo pictórico. As crianças aplaudiram, e é claro, tornaram-se ainda mais fãs do Luciano.

No dia 08 de dezembro Luciano Martins, acompanhado de seu irmão Fábio Martins - o qual é sócio e administra o espaço da galeria – nos presentearam visitando o Colégio Dom Jaime Jr., onde puderam conhecer o resultado de um processo muito significativo. Para a surpresa de ambos, as mesas se encontravam na entrada da escola, e neste sentido, antes mesmo de reencontrarem as crianças, que estavam em sala de aula, depararam-se com nosso trabalho. Em seguida, após um percurso dentro do colégio, nos dirigimos à sala do 5º ano vespertino.




Lá, outra surpresa foi preparada ao Luciano: a turma fez um livro com ilustrações baseadas em todo o referencial imagético dele. Os desenhos, direta ou indiretamente estão “contaminados” com características da obra do artista. É um singelo, mas significativo presente, de forma a agradecer por todo o carinho e empenho da equipe da Galeria Luciano Martins.




Em meio a toda a agitação desta visita especial, que coincidentemente era o último dia de aula para a turma, Luciano realizou uma espécie de sessão de autógrafos, onde além de assinar as camisetas dos alunos, deixou sua marca nas mesmas, com a ilustração de um gato, animal presente em toda sua obra. Este dia foi, de fato, o fechamento de um longo processo de aprendizagem, que certamente foi único e significativo tanto para os alunos, quanto para nós, profissionais da escola e para a equipe da Galeria Luciano Martins, que demonstraram muito carinho e empenho naquilo que fizeram, assim como nós, educadoras.
Priscila Anversa

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Let's fly baby?


Yves Klein em sete anos desafiou todos os limites...

Foi ousado: quadros de uma só cor, a sua cor patenteada, aboliu o uso dos pincéis, usou pigmentos puros, realizou performances, usou fogo e água em suas pinturas...

Um artista conceitual que explorou todas as formas e materiais em busca da imaterialidade...

Em sua obra, há muito mais do que monocromos. Figura a relação do homem, da criação, do mito, e o espaço é sua fonte de inquietação.


Em Salto no Vazio, de 1960 - Um homem no espaço - O pintor do espaço lança-se no vazio, fotografia tirada por Harry Shunk transformou-se num ícone visual do século XX. O fervor do Sputnik I em 1957 significava a libertação das leis da gravidade. É neste contexto que Klein, um ano antes do primeiro voo espacial tripulado lança-se ao espaço e produz um valor iconográfico muito peculiar.
Pri Anversa


domingo, 13 de dezembro de 2009

Ucronia Poética


Possibilidade da utopia retrospectiva...onde em determindado instante, um acontecimento ocorre, portanto existe...


Mas como existência não é tudo, este acontecimento só não é efêmero porque acabo de registrá-lo aqui.

Outra vez, me encontro divagando sobre arte, sobre processos, sobre a vida,...sobre sabe-se Deus o que...mas partilho meus pensamentos comigo mesma...e com quem se sentir à vontade com o assunto...e quiser continuar lendo isso tudo...
Como dizia o escritor mexicano Carlos Fuentes na contracorrente de seus contemporâneos que lutavam com a escritura, "a angústia é uma mentira psicológica" e que "escrever é um prazer"
"Um prazer...
Como um beijo
- romântico ou lascivo?
Como sexo
- para mim ou para ele?
Como suor
- repousando quente, ainda lava, ou escorregando frio sobre a pele temerosa?
Como uma fuga
- definitiva ou sintomática?
(...)"
Portanto, escrevo, enquanto não esgotar minhas forças, escrevo, pactuante ao ponto de vista do poeta, "como um beijo, sexo e suor"...
Mas voltemos à angústia acerca da arte...

Baudrillard diz: "A arte que provoca uma emoção tanto mais forte na medida em que é imperfeita, fortuita e fragmentária..."


A palavra "arte" é um problema: o que se compreende, intuitivamente com o termo é o que se resume nos discursos, nas aulas, nos museus, nas insituições, na história da arte...Mas existem obras que se distinguem suficientemente do percurso das coisas, da banalidade para merecer o nome de arte? Qual é afinal, o poder da arte?

Hoje, limitar-me-ei a questionar, quero evitar responder coisas das quais não se têm resposta ...

Obviamente o chavão "se tudo é arte nada é arte" é válido para pensarmos em alguns paradoxos...Mas a minha defesa para manter-me "nula" diante de um diálogo tão importante e empírico é a arte-educação. Eu, enquanto arte-educadora não posso ditar conceitos, devo dar um empurrãozinho aos meus alunos para que construam cada qual sua ideia.


Não é lavar as mãos, pelo contrário, é ser rigorosa e extremamente cuidadosa pra não ser aquela professora quadrada que desconsidera artistas pelo simples fato de estarem no campo do consumo. Ora, não sejamos hipócritas em extenuar este discurso como se a grande maioria dos artistas que existem ou que já existiram não transitam neste campo entre arte versus consumo.


E mesmo os que negam o consumo e repugnam o mesmo tiveram/têm seu mérito, aliás, meu mérito, meu crédito, mesmo porque estes estão em outra categoria que não cabe aqui discutir, neste momento...


Fico contente em encontrar respaldo na filosofia e perceber que arte é ilusão, que nos afeta quando ela impõe sua ilusão...universo paralelo que não se trata da arte pela arte, mas ao desafio ao princípio de realidade...


Independetemente de quaisquer conceitos, pra mim, o estatuto que define arte, diz repeito àquilo que provoca alguma reação, alguma emoção, não da ordem do sensível apenas, é claro...Mas vou parando por aqui, porque afinal, a intenção inicial era deixar no ar as perguntas...Mas obviamente, quem bem me conhece, sabe de minha pontualidade na fala, crítica, efusiva e deliberadamente verossímil...
Priscila Anversa


domingo, 22 de novembro de 2009

Potência intempestiva



Dizem que uma imagem fala por si, que não necessita de palavras nem interpretação. Claro que sou adepta a este discurso. Entretanto, enquanto pesquisadora de Semiótica, há momentos em que é necessário estruturar uma leitura de imagem para poder encontrar as diferenças. A comparação estabelecida ajuda a criar julgamentos e por fim, interpretar um texto visual, e assim, exercitar potencialmente minhas inquietações artísticas...




Se bem que o artista que provoca todo este rebuliço em meus pensamentos, o grafiteiro britânico Banksy, certamente não compartilha a idéia da semiótica... Ele é um tanto recluso, não aparece na mídia, não faz alarde, não é celebridade...mas sua arte é mais que grandiosa, é silenciosa, é um tapa na cara, porque me faz engolir seco certos conceitos, envergonha-me enquanto pessoa por estar limitada também...por não poder fazer nada, assim como ele, a não ser expressar-me por palavras, ou pela arte...Moral da história? Globalização. Sim, temos a arte política, crítica, nua e crua também.

O artista plástico é conhecido por seus grafites, pinturas, intervenções e stencil art. Sempre criticando os problemas sociais, incorpora o humor e sarcasmo em suas produções. Sim, ele está entre os meus artistas favoritos, os quais felizmente não consigo definir ordem de preferência...
Aprecio demais a crítica à sociedade do consumo, mais precisamente, aos americanos. O filósofo Buckhardt fala sobre a cultura do Renascimento na Itália, referindo-se à moral e religião, onde é possível reportar aos Estados Unidos. O que os italianos foram para Renascimento é o que os EUA são para o pós-modernismo. "Uma grande nação, entrelaçada por sua cultura, seus feitos e sua experiência, (...) pode permitir-se ignorar tudo, tanto seus acusadores quanto seus defensores: ela segue vivendo (...)”. (BUCKHARDT, A cultura do Renascimento na Itália: um ensaio,1991)

A obra de Banksy mesmo que figurativa, está inserida no conceito de aparição, de configuração. Ela não é a representação do mundo em si, mesmo que represente uma situação. Ela é a representação da representação. Aquilo que está ali, visível, é invisível. O que se mostra está além do visível, além do que os nossos olhos olham. Mas isso é uma "esquizofia" filosófica sem fim...A verdade é que a arte têm funções múltiplas. Geralmente a função social e política costuma ser discutida na arte, e não na publicidade, por exemplo, que em sua maioria já transmite uma ideia pronta - a imagem já nos diz o que significa antes mesmo de pararmos para pensar.
Na realidade o que precisamos saber não requer imagem para nos comunicar, como já disse Baudrillard...já está em nosso íntimo, em nossa consciência, basta exercer o ato de pensar, buscar, querer, e principalmente, ser...
Priscila Anversa

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Família: Vide Bula

Tarsila do Amaral, "A família", 1925
Depois de quase dois anos pesquisando sobre o tema, descobri porque este assunto tanto me perturba. Por mais que eu tenha detectado alguns fatores, ainda não consigo formular em palavras aquilo que sinto, aquilo que penso. O que sei é que a dimensão da problemática é maior do que imaginamos, e pior, as relações entre família e escola se dissipam cada vez mais. Nós, profissionais da educação, esbarramos com essas questões o tempo todo, porque família e escola são temas vizinhos e cúmplices, no que diz respeito à escolarização. Rosely Sayão e Julio Groppa Aquino discutem em seu livro "Família: modos de usar" pontos importantes na edificação desta complexa relação - família, escola e pós-modernidade. De fato não existe um guia, um manual ou uma bula que possa esclarecer como tratar estes problemas de forma prática. Porém, algumas considerações, por mais sarcásticas que pareçam, são muito adequadas quando os autores resolvem ao invés de escrever um prólogo, como em todo livro, apresentam uma bula, remetendo ao fato de a mesma encontrar-se em toda a caixa de remédio, embora a maioria dos usuários não a utilizem. É uma excelente metáfora, porque casualmente é isso que acontece...as famílias vão se "pedagogizando" por si, preferem mais as informações clichês sugeridas por livros de auto-ajuda e programas da mídia, do que enfrentar os problemas existentes na educação dos filhos através da maneira mais simples, que é a confiança mútua para com a escola...eis alguns trechos da bula familiar sugerida pelos autores acima citados:


SUPERDOSAGEM


O uso abusivo das ações familiares, mormente relacionado à superproteção por parte dos pais, pode gerar dependência, sobretudo na infância e ao término da juventude, Os sintomas resultantes da superdosagem costumam ser reversíveis, se imediatamente acompanhados por ações que precipitem a responsabilidade e a liberdade rumo à vida adulta


INTERAÇÕES


As ações familiares são necessárias e, salvo melhor juízo, suficientes apenas no início da vida de um indivíduo. Imediatamente após, torna-se imprescindível a interação com outras instituições, em especial a escola. É esta que mediará o envolvimento do indivíduo com o mundo público. Para que a interação com a escola produza resultados benéficos, os tempos e os espaços de atuação desta e da família devem ser diferenciados, porém complementares. Em situações em que são constatadas práticas invasivas mútuas, a reação é oposta à esperada por ambas. Indica-se, portanto, uma relação de delegação confiante e discrição respeitosa entre as partes.


CONTRA-INDICAÇÕES


Laços familiares são contra-indicados para ególatras, narcisistas e pessoas não generosas em geral. Ainda, filhos como projeto narcísico ou objeto de consumo, frutos da pressão social, são veementemente contra-indicados.
Pri Anversa